Inelegível até 2032, Pablo Marçal anuncia saída do PRTB e filiação ao União Brasil em SP
Cerimônia de entrada no partido está prevista para sexta-feira (6), na Vila Olímpia, enquanto aliados apostam em reverter condenações que sustentam a punição pela Lei da Ficha Limpa.
04/03/2026 às 08:21por Redação Plox
04/03/2026 às 08:21
— por Redação Plox
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Inelegível até 2032, o ex-coach e empresário Pablo Marçal anunciou na terça-feira (3) que vai deixar o PRTB e se filiar ao União Brasil, em São Paulo.
A cerimônia de filiação está prevista para sexta-feira (6), em uma casa de eventos na Vila Olímpia, bairro de alto padrão na Zona Sul da capital paulista.
União Brasil aposta em reversão de condenações
A direção do União Brasil trabalha com a expectativa de que Marçal consiga reverter duas condenações que ainda enfrenta na Justiça Eleitoral por conta da tumultuada campanha à Prefeitura de São Paulo em 2024. A partir daí, o plano é lançar seu nome a uma vaga de deputado federal ou ao Senado pelo estado nas eleições de outubro.
Durante a disputa municipal de 2024, o ex-coach foi condenado três vezes à inelegibilidade. Duas dessas ações ainda aguardam julgamento de recursos na Justiça Eleitoral.
Expectativa do União Brasil é que Marçal reverta duas condenações na Justiça Eleitoral por causa da tumultuada campanha à Prefeitura de SP em 2024, e tente uma vaga de deputado federal ou Senado pelo estado na eleição de outubro.
Foto: Reprodução / Redes sociais.
Condenações e Lei da Ficha Limpa
A principal ação aponta uso indevido dos meios de comunicação na campanha de 2024. Nesse processo, Marçal foi multado em R$ 420 mil por descumprir ordem judicial durante o período eleitoral.
Nesse caso, ele está efetivamente inelegível para as eleições de outubro em razão da Lei da Ficha Limpa. A condenação já foi confirmada em 2ª instância pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e aguarda recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De acordo com a Lei da Ficha Limpa (LC 135/2010), políticos condenados por órgãos colegiados (2ª instância) por crimes considerados graves tornam-se automaticamente inelegíveis por oito anos, mesmo que ainda existam recursos pendentes em outras instâncias.
Quando foi criada, a norma teve como objetivo elevar o rigor na moralidade eleitoral, estabelecendo a condenação colegiada em 2ª instância como marco inicial para a inelegibilidade.
Disputas com Boulos na Justiça
Na Justiça Comum, Marçal foi condenado no início de fevereiro a pagar R$ 100 mil de indenização ao deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), por divulgar um laudo falso contra ele durante a mesma campanha de 2024.
Na esfera eleitoral, os dois firmaram um acordo no TRE-SP para suspender por dois anos o andamento de um processo relacionado ao mesmo laudo falso. Mesmo com a paralisação, a Justiça Eleitoral prevê que Marçal ainda pode ser declarado inelegível ao fim do prazo, caso a ação seja retomada e resulte em nova condenação.
Conflito com Datena e campanha conturbada
Marçal também firmou um acordo com o apresentador José Luiz Datena (PSDB) para encerrar os processos que ambos moviam um contra o outro, motivados pela cadeirada desferida por Datena no ex-coach durante um debate da TV Cultura, em setembro de 2024.
A campanha de Marçal à Prefeitura de São Paulo naquele ano foi marcada por ofensas, brigas e episódios de violência, o que a consolidou como uma das disputas mais tensas do pleito paulistano.
Apesar da forte presença na disputa e de ter recebido mais de 1,7 milhão de votos, Marçal não avançou ao segundo turno. Ele foi superado por Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL).
No segundo turno, o resultado final apontou a vitória de Nunes sobre o candidato do PSOL.