Polícia vai pedir quebra de sigilo telefônico de réus denunciados por estupro coletivo em Copacabana

Pedido ocorre após os quatro investigados se apresentarem sem celulares e optarem por ficar em silêncio; Justiça já aceitou a denúncia do MP-RJ

04/03/2026 às 15:24 por Redação Plox

A Polícia Civil pretende pedir à Justiça a quebra do sigilo telefônico dos réus denunciados por estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana. De acordo com os investigadores, os quatro jovens se apresentaram espontaneamente, mas nenhum deles levou o celular à delegacia. No momento do depoimento, todos optaram por permanecer em silêncio.


Quatro jovens são réus por estupro coletivo de menor em Copacabana

Quatro jovens são réus por estupro coletivo de menor em Copacabana

Foto: Reprodução/ TV Globo


Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, acusado de estupro coletivo contra adolescente, chegou na 12ªDP (Copacabana) acompanhado do seu advogado.

Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, acusado de estupro coletivo contra adolescente, chegou na 12ªDP (Copacabana) acompanhado do seu advogado.

Foto: Reprodução


No sábado (28), quando ainda eram considerados foragidos, agentes estiveram em endereços ligados aos suspeitos, mas não localizaram celulares nem computadores.

Ao solicitar a prisão dos quatro, a polícia também pediu a busca e apreensão dos aparelhos telefônicos. O Ministério Público se manifestou a favor dessa medida. A Justiça, porém, desmembrou o pedido e enviou a análise para outra vara. Até a última atualização, não havia informação sobre a decisão referente à apreensão dos aparelhos.

Nós vamos solicitar as quebras telemáticas dos aparelhos dos acusados, já que eles não nos disponibilizaram qualquer acesso na hora que se apresentaram delegado Angelo Lages, da 12ª DP (Copacabana)

Réus e acusações

Foram presos pelo ataque em Copacabana:

Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos (preso, se entregou na 12ª DP);
João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos (preso, se entregou na 10ª DP);
Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos (preso, se entregou na 12ª DP);
Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos (preso, se entregou na 54ª DP).

Os quatro respondem como réus por estupro coletivo, com agravante por a vítima ser menor de idade, e também por cárcere privado.

Vitor Hugo é filho de José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, exonerado do cargo nesta quarta-feira.

Versão da defesa de Vitor Hugo

O advogado Ângelo Máximo, que representa Vitor Hugo, afirma que o cliente nega participação no crime. Segundo a defesa, ele admite que estava no apartamento, mas nega ter mantido relação sexual ou cometido estupro contra a vítima.

De acordo com o advogado, Vitor vai continuar em silêncio e, na visão da defesa, ele poderia ter sido ouvido anteriormente na delegacia, o que não ocorreu.

Denúncia aceita e menor investigado

A 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Com base no relatório final da polícia, os promotores destacaram a violência empregada e a brutalidade dos atos sexuais praticados contra a vítima.

Além dos quatro réus, há ainda um adolescente investigado. Até a última atualização, não havia mandado de apreensão expedido contra ele.

O Ministério Público do Rio de Janeiro já havia se manifestado em outros casos, apontando que não via necessidade de internação do menor investigado em pelo menos dois episódios de estupro coletivo.

Na última segunda-feira (2), em manifestação enviada à Vara da Infância e da Juventude sobre o caso da adolescente que denunciou o abuso em Copacabana, o promotor Carlos Marcelo Messenberg, da 1ª Promotoria da Infância e da Juventude Infracional da capital, pediu que a Justiça negasse o pedido de apreensão do menor.

Por se tratar de um adolescente, a polícia desmembrou o inquérito e encaminhou a representação ao Ministério Público do Rio de Janeiro, solicitando a apreensão por fato análogo ao crime. O caso está sob análise da Vara da Infância e da Juventude.

Habeas corpus negados

A Justiça do Rio de Janeiro já havia negado pedidos de habeas corpus apresentados pelos investigados quando ainda estavam foragidos.

A TV Globo apurou que três dos quatro maiores de idade procurados pelo crime recorreram para tentar suspender a prisão. O desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal, indeferiu os pedidos.

Como o caso corre em segredo de Justiça, o processo não identifica os envolvidos, e não foi possível saber quem entrou com os recursos. Também não há confirmação se todos apresentaram habeas corpus ou se apenas três recorreram.

Novas denúncias de vítimas

Entre segunda-feira e terça-feira (3), mais duas jovens relataram à polícia que foram estupradas por integrantes do grupo já investigado.

Na segunda (2), uma delas denunciou ter sido estuprada por pelo menos dois réus do caso da adolescente de 17 anos. O crime teria ocorrido quando ela tinha 14 anos, idade em que, segundo relatou, mantinha um relacionamento com o único menor de idade apontado no caso — o mesmo citado como participante do estupro coletivo em Copacabana.

A jovem contou que foi convidada a ir à casa de Mattheus Veríssimo Zoel Martins, de 19 anos, também investigado. No depoimento, afirmou que ao menos dois suspeitos participaram da violência sexual, gravaram imagens e as divulgaram.

Nesta terça-feira (3), outra jovem procurou a 12ª DP (Copacabana), acompanhada da mãe, e declarou ter sido vítima de estupro por um dos integrantes do grupo. Segundo o relato, o suspeito é Vitor Hugo Oliveira Simonin.

Como começou a investigação

Quatro homens foram indiciados por estupro com concurso de pessoas, e a Justiça expediu mandados de prisão contra:

Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos;
João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos;
Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos;
Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos.

O adolescente que convidou a vítima também é investigado por ato infracional análogo ao crime, mas, por ser menor de idade, sua identidade não foi divulgada.

Relato do crime em Copacabana

De acordo com o inquérito da 12ª DP (Copacabana), a adolescente foi convidada pelo ex-namorado, um menor de idade, para ir ao apartamento de um amigo, na noite de 31 de janeiro, na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

O menor teria pedido que ela levasse uma amiga, mas, como não conseguiu, ela foi sozinha. No elevador, o rapaz avisou que outros amigos estavam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que, segundo a jovem, foi recusado.

Já no apartamento, a vítima foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o ex-namorado, outros quatro rapazes entraram no cômodo. Ela relatou que, após insistência do adolescente, concordou apenas com a permanência dos amigos no quarto, desde que não fosse tocada.

Segundo o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetrações por todos. Ela afirmou ainda ter levado tapas, socos e um chute na região abdominal e disse que tentou sair do quarto, mas foi impedida.

Imagens e mensagens analisadas

Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, depois, a entrada da adolescente acompanhada pelo menor. As imagens mostram também o momento em que a vítima deixa o imóvel.

O relatório policial aponta ainda que, após acompanhar a jovem até a saída, o adolescente voltou ao apartamento e fez gestos interpretados pelos investigadores como de comemoração. Há registros da saída dos investigados do prédio em horários próximos ao do crime.

Conversas por WhatsApp entre a vítima e o menor, anteriores ao encontro, foram incluídas no inquérito. Nas mensagens, ele a convida para ir ao endereço e pergunta se ela poderia levar uma amiga. A jovem responde que não teria com quem ir, e ele diz que não haveria problema em ela ir sozinha. As trocas de mensagens também detalham a combinação do encontro na portaria e os horários em que ela avisou que estava chegando.

Laudo pericial

O exame de corpo de delito identificou lesões compatíveis com violência física. A perícia constatou infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal. Também foram registradas manchas em regiões dorsal e glútea.

Foram coletados materiais para exames genéticos e análise de DNA.

Posicionamento da defesa de João Gabriel

Após a prisão, a defesa de João Gabriel divulgou uma nota em que informa que ele se apresentou à 10ª DP em respeito à decisão judicial, nega a prática de estupro e afirma confiar que a Justiça, de forma isenta, vai apurar os fatos e decidir pela improcedência da denúncia.

Segundo a nota, João Gabriel não teria sido ouvido pela polícia antes da prisão e não é citado nas novas denúncias que surgiram e estão em investigação.

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