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TikTok, Instagram, X, Facebook, WhatsApp, YouTube, Telegram, Snapchat e LinkedIn estão entre as plataformas estrangeiras banidas na China. Ainda assim, muitas dessas redes têm algo em comum: o regime de Xi Jinping mantém perfis oficiais ativos nelas.
As contas incluem jornalistas, autoridades do governo, mídia estatal, consulados e embaixadas, muitas vezes administradas dentro do próprio país. Do outro lado, cidadãos chineses dependem do uso ilegal de VPNs — que desviam a conexão por um servidor fora da China e contornam o bloqueio — para acessar conteúdo produzido em outras nações, seja de entretenimento ou jornalístico.
Imagem ilustrativa
Foto: Pixabay
Segundo estudos, especialistas e organizações de direitos humanos, a dinâmica combina censura e controle interno com uma estratégia de projeção externa, ao moldar uma imagem positiva do país para públicos fora da China.
O Ministério das Relações Exteriores chinês afirma que as práticas estão de acordo com a lei e diz que usa as plataformas para falar com audiências internacionais.
Abrimos contas em plataformas de mídia social no exterior para nos comunicarmos melhor com o público externo, apresentar melhor a China e aumentar o entendimento mútuo Ministério das Relações Exteriores da China
Levar informações sobre o país a estrangeiros sob a lente de Pequim é uma estratégia que o regime não esconde. Em uma reunião do setor de publicidade do Partido Comunista Chinês no início de janeiro, o membro do Politburo, Cai Qi, afirmou que reforçar a capacidade de comunicação internacional e a influência da China é uma prioridade da legenda.
Um exemplo é a presença em inglês de veículos estatais no Instagram, com uma narrativa que enfatiza bom senso, solidariedade, respeito e conquistas científicas. O perfil em inglês do China Daily, principal jornal do país, reúne cerca de 1,6 milhão de seguidores e publica atualizações diárias. Já o CGTN, principal canal de notícias em língua inglesa, soma 2,6 milhões de seguidores e mais de 25 mil publicações.
As linhas editoriais seguem cartilhas semelhantes: vídeos com gestos gentis, inovações de alta tecnologia, declarações favoráveis de parceiros comerciais, crianças e animais, além de destinos turísticos.
Jornalistas desses veículos também operam com perfis em estilo de influenciadores, destacando benesses do país e o posicionamento de Pequim em temas como a guerra comercial com os Estados Unidos. As contas de mídias estatais no Instagram e no Facebook, por sua vez, exibem o selo “Mídia controlada pelo Estado: China”, previsto na política de redes sociais da Meta.
A especialista no Partido Comunista Chinês Anne-Marie Brady, professora na Universidade de Canterbury (Nova Zelândia), avalia que o método busca “controlar a narrativa” sobre o país e integra o sistema de propaganda do partido ao controlar o ambiente informacional.
A regulamentação chinesa exige que a conexão internacional passe por canais autorizados pelo Estado e proíbe organizações e indivíduos de estabelecer ou usar vias alternativas não aprovadas. Na prática, isso impede o uso de VPNs e outros meios para contornar o bloqueio ao conteúdo externo.
A autorização do regime é a justificativa para que contas oficiais permaneçam no ar sem violar a legislação. Instituições como o Ministério das Relações Exteriores, consulados e embaixadas mantêm perfis ativos em redes americanas.
Em relatório de 2018, a pasta afirmou que missões diplomáticas usam plataformas como Instagram, Facebook e Twitter (atualmente X) para promover a posição política e a filosofia diplomática da China.
Entre os oficiais com presença ativa está Mao Ning, porta-voz e diretora do Departamento de Imprensa, Comunicação e Diplomacia Pública das Relações Exteriores. Também aparecem Guo Jiakun e Lin Jian, porta-vozes da pasta, além de Zhao Lijian, diretor-adjunto da Divisão de Assuntos de Fronteiras e Oceanos.
Um estudo publicado pelo Instituto de Internet da Universidade de Oxford em 2021 apontou que, naquele momento, Pequim contava com cerca de 270 perfis em plataformas como Facebook e X para amplificar as visões do regime.
Organizações como Human Rights Watch e Anistia Internacional classificam as restrições como censura, vigilância e repressão. No relatório sobre liberdade online de 2025, a Freedom House afirma que, há mais de uma década, os usuários de internet na China enfrentam as piores condições do mundo em termos de liberdade na rede.
Margot Fulde-Hardy, pesquisadora de redes de influência chinesas na empresa de análise Graphika, afirma que o objetivo final das autoridades é “contar bem a história da China” e que estar em plataformas ocidentais proibidas dentro do país é uma forma de perseguir esse objetivo.