A seis meses das eleições, bastidores travam alianças e chapas seguem indefinidas nos estados

Com cerca de 155 milhões aptos a votar, Lula e Flávio Bolsonaro intensificam articulações enquanto disputa pelo Senado, com 54 vagas em jogo, redesenha estratégias regionais

04/04/2026 às 07:20 por Redação Plox

A exatos seis meses das eleições de 4 de outubro, o mapa político do país ainda lembra um quebra-cabeça incompleto. Embora a corrida já esteja em andamento e cerca de 155 milhões de brasileiros estejam aptos a ir às urnas, a maior parte dos estados segue com palanques indefinidos, alianças em negociação e candidaturas em aberto.

No centro dessa movimentação estão dois dos principais cabos eleitorais: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em lados opostos, ambos percorrem o país para costurar chapas competitivas, em uma disputa que acontece menos no discurso público e mais nas negociações de bastidores.

Nordeste tem base petista, mas enfrenta tensão nas alianças

Apesar da indefinição predominante, alguns estados começam a ganhar contornos mais claros. Na Bahia, reduto histórico do PT, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) tentará a reeleição, com Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT) como principais nomes ao Senado. A oposição se organiza em torno de ACM Neto (União Brasil). No Ceará, o governador Elmano de Freitas (PT) deve disputar a reeleição, enquanto Ciro Gomes (PSDB) se coloca como principal nome da oposição.

No Nordeste, embora Lula parta de uma base mais estruturada, há sinais de tensão e palanques rachados na base aliada. Estados como Pernambuco e Maranhão registram disputas internas por espaço, especialmente nas vagas ao Senado, que se tornaram o principal ponto de atrito.

Sul tem cenário mais definido e concentra articulações da oposição

Procedimento de carga e lacração das urnas eletrônicas realizado pelo TSE

Procedimento de carga e lacração das urnas eletrônicas realizado pelo TSE

Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE


No Sul, a oposição aparece com maior grau de definição. No Paraná, Sergio Moro (PL) será candidato ao Palácio Iguaçu com apoio de Flávio Bolsonaro, enquanto Deltan Dallagnol (Novo) e Felipe Barros (PL) são citados na disputa ao Senado. No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) lidera a articulação, com Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) de olho na Casa Alta. Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL) tentará a reeleição, com Carlos Bolsonaro (PL) e Carol De Toni (PL) cotados ao Senado.

São Paulo já tem protagonistas e mantém vagas ao Senado em aberto

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a disputa já tem protagonistas definidos. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) é o nome do governo, enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve buscar a reeleição. Na corrida ao Senado, aparecem nomes como Simone Tebet (PSB) e Guilherme Derrite (PP), além de uma vaga ainda em aberto em cada campo.

Minas e Rio seguem como peças centrais da indefinição

Minas Gerais concentra uma das maiores incertezas do tabuleiro. O estado, historicamente alinhado ao resultado nacional, segue com o cenário embaralhado. Lula tenta atrair o senador Rodrigo Pacheco (PSB) para liderar seu palanque, enquanto, na direita, aliados avaliam apoiar uma eventual candidatura ligada ao senador Cleitinho (Republicanos).

No Rio de Janeiro, os movimentos estão um pouco mais definidos, mas a disputa permanece aberta. Pelo campo governista, o prefeito Eduardo Paes (PSD) aparece como principal nome ao Palácio Guanabara, com um nome do MDB na vice. Na oposição, Douglas Ruas (PL) surge como pré-candidato, com Rogério Lisboa (PP) como vice. Já a chapa ao Senado inclui Márcio Canella (União Brasil) e ainda depende de ajustes após a inelegibilidade de Cláudio Castro (PL).

Disputa pelo Senado redesenha alianças em todo o país

Um dos traços mais marcantes deste ciclo é que, em diversos estados, a briga mais acirrada não está necessariamente no governo, mas nas cadeiras do Senado. Cada unidade da federação elegerá dois senadores, somando 54 vagas para mandatos de oito anos. A definição dessas cadeiras tem redesenhado alianças, travado negociações e, em alguns casos, atrasado o fechamento das chapas.

Os maiores colégios eleitorais concentram o peso decisivo da disputa. São Paulo lidera, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. Depois aparecem Bahia e Paraná, além de Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará, Pará e Santa Catarina, que completam o grupo dos dez estados principais. Juntos, esses colégios reúnem mais de 60% do eleitorado e concentram os esforços das campanhas.

Seis meses até outubro: negociações aceleram e palanques seguem em construção

O retrato atual aponta para uma eleição ainda em construção. Faltam peças, sobram negociações, e o tempo começa a impor ritmo às articulações. Até outubro, Lula e Flávio Bolsonaro terão o desafio de transformar o cenário fragmentado em palanques mais sólidos, capazes de sustentar candidaturas locais e projetos nacionais em uma disputa que segue aberta.

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