Oxfam diz que riqueza escondida em paraísos fiscais pelo 0,1% mais rico supera a da metade mais pobre do mundo

Organização estima US$ 3,55 trilhões em riqueza não tributada no exterior em 2024 e defende ação internacional para tributar fortunas e encerrar o uso de paraísos fiscais

04/04/2026 às 11:48 por Redação Plox

A riqueza não tributada mantida no exterior em paraísos fiscais pelo 0,1% mais rico supera toda a riqueza da metade mais pobre da humanidade, estimada em 4,1 bilhões de pessoas. A avaliação é da Oxfam, com base em análise feita no contexto dos dez anos do escândalo conhecido como Panama Papers, em 31 de março deste ano.

Valter Campanato/Agência Brasil

Valter Campanato/Agência Brasil


À época, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) conduziu uma investigação sobre a indústria de empresas offshore — estruturas que podem ser usadas para esconder dinheiro e dificultar o rastreamento de seus verdadeiros donos. Milhões de documentos vazados foram analisados por mais de 370 jornalistas de 76 países.

Oxfam estima US$ 3,55 trilhões escondidos em 2024

Segundo a Oxfam, US$ 3,55 trilhões em riqueza não tributada foram ocultados em paraísos fiscais e em contas não declaradas em 2024. A organização afirma que esse montante supera o PIB da França e corresponde a mais que o dobro do PIB combinado dos 44 países menos desenvolvidos do mundo.

Do total estimado, o 0,1% mais rico concentra cerca de 80% de toda a riqueza offshore não tributada, o equivalente a aproximadamente US$ 2,84 trilhões. Para a Oxfam, mesmo uma década após o escândalo, os super-ricos seguem recorrendo a estruturas offshore para sonegar impostos e ocultar ativos.

Os Panama Papers levantaram o véu sobre um mundo sombrio onde os mais ricos movimentam silenciosamente fortunas imensas para além do alcance dos impostos e da fiscalização. Dez anos depois, os super-ricos continuam escondendo verdadeiros oceanos de riqueza em cofres offshore

Christian Hallum, coordenador de Tributação da Oxfam Internacional

Organização defende ação internacional contra paraísos fiscais

A Oxfam afirma haver necessidade urgente de uma ação internacional coordenada para tributar a riqueza extrema e encerrar o uso de paraísos fiscais. Hallum também aponta que a situação envolve poder e impunidade, ao sustentar que, quando milionários e bilionários escondem trilhões de dólares em paraísos fiscais offshore, eles se colocam acima das obrigações que regem o restante da sociedade.

A organização também avalia que as consequências atingem serviços públicos e ampliam a desigualdade, com hospitais e escolas privados de recursos e pessoas comuns arcando com os custos de um sistema que beneficia um grupo restrito.

Redução parcial, mas patamar segue elevado

A Oxfam menciona que, apesar de avanços na redução da riqueza offshore não tributada, o nível continua alto, em cerca de 3,2% do PIB global.

O texto aponta ainda que os resultados permanecem desiguais entre os países. A organização afirma que a maioria dos países do Sul Global está excluída do sistema de Troca Automática de Informações (AEOI, na sigla em inglês), apesar da necessidade urgente de receita tributária, e acrescenta que pesquisadores atribuem ao AEOI parte da redução da parcela não tributada da riqueza offshore nos últimos anos.

Debate chega ao Brasil, diz Oxfam

Em nota, a diretora executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, afirma que o que os Panama Papers revelaram há dez anos segue atual no país, ao apontar uma arquitetura global que protege grandes fortunas enquanto a maioria da população paga proporcionalmente mais impostos. Para ela, a justiça fiscal passa pela tributação dos super-ricos.

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