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O envolvimento em polêmicas e a interdição de sua refinaria não impediram que a Refit, no Rio de Janeiro, mantivesse a liderança na venda de etanol hidratado no estado, à frente de algumas das maiores distribuidoras do país.
A empresa detém 23% do mercado estadual de etanol hidratado, seguida por Raízen (21%) e Vibra (20%), segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilados pelo colunista de O Globo, Lauro Jardim.
Grupo Refit é considerado o maior devedor de ICMS do Estado de São Paulo e um dos maiores da União
Foto: /Grupo Refit
A liderança ocorre em meio a um momento de crise para a companhia. Em novembro do último ano, a Receita Federal e outros órgãos federais e estaduais deflagraram a Operação Poço de Lobato para apurar supostos crimes contra a ordem econômica e tributária e lavagem de dinheiro em todos os níveis da cadeia de combustíveis, da importação à comercialização em postos.
Ao todo, foram quase 200 alvos de mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Distrito Federal. De acordo com os investigadores, em um único ano a Refit teria movimentado R$ 70 bilhões por meio de uma série de empresas com o objetivo de blindar e ocultar lucros.
O grupo Refit é apontado como o maior devedor de ICMS do Estado de São Paulo e um dos principais da União. Ainda segundo os investigadores, o prejuízo atribuído à empresa aos cofres públicos chega a R$ 26 bilhões.
O grupo também é investigado por supostas relações financeiras com empresas ligadas à Operação Carbono Oculto, que busca desvendar a trama financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além das investigações, a Refit enfrenta medidas regulatórias. Em fevereiro deste ano, após a megaoperação realizada em novembro, a ANP determinou a interdição total da refinaria no Rio de Janeiro, como resultado de uma fiscalização. Segundo a agência, as condições encontradas poderiam provocar acidentes, devido a deficiências de segurança na produção.
Em comunicado, a ANP informou que foram identificados problemas como falhas no “sistema de combate a incêndio, ausência de estudos de análise de riscos, deficiências no gerenciamento de emergências, sistema de detecção de gás, sistema de detecção de fogo e outros elementos críticos de segurança operacional”.
A reportagem procurou a Refit e a ANP e aguarda retorno.
O grupo é controlado pelo empresário Ricardo Magro, que já foi alvo de investigações anteriores. Ele adquiriu a refinaria de Manguinhos em 2008, rebatizando-a como Refit, e desde então passou a aparecer no noticiário associado a escândalos.
Atualmente vivendo em Miami, Magro foi citado pelo presidente Lula (PT), que afirmou ter pedido a Donald Trump a extradição do brasileiro, descrito pelo petista como um dos “grandes chefes do crime organizado do país”.
Na época da Operação Carbono Oculto, Magro disse, em entrevista, que era perseguido pelo PCC por tentar combatê-los no setor de combustíveis.
Magro chegou a ser preso em 2016 por fraude em investimentos de fundos de pensão, mas foi absolvido. Advogado, também atuou na defesa do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que foi acusado de desvios em fundos e absolvido anos após a prisão.