Acordo Mercosul-UE entra em vigor e impõe novas exigências ambientais ao agro brasileiro
Expectativa é de redução de tarifas e ampliação de mercados, enquanto a regra antidesmatamento reforça rastreabilidade, governança e transparência em cadeias como soja, café e carne bovina.
04/05/2026 às 17:36por Redação Plox
04/05/2026 às 17:36
— por Redação Plox
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O acordo entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor e passa a reposicionar o Brasil no comércio internacional. A expectativa envolve redução de tarifas, ampliação de mercados e aumento de competitividade. Mas os efeitos do tratado não se limitam à economia: a agenda ESG também deve sentir os impactos.
Nos últimos anos, a União Europeia estabeleceu um novo padrão ao exigir que produtos importados comprovem que não estão associados ao desmatamento. Ao mesmo tempo, a aplicação dessa regra tem sido ajustada e postergada, evidenciando a complexidade de implementação e a pressão de diferentes setores econômicos.
Não basta produzir; é preciso provar.
O acordo Mercosul–UE
Foto: Divulgação/União Europeia/Mercosul
Pressão regulatória pode elevar o padrão do agro
Para o Brasil, esse movimento representa uma vantagem estratégica. A pressão regulatória europeia tende a acelerar a modernização da cadeia produtiva, tornando rastreabilidade, governança e transparência menos um diferencial e mais um requisito. Na prática, isso pode elevar o padrão do agro brasileiro e abrir espaço para produtos com maior valor agregado no mercado internacional — apontado como o principal ganho na dimensão ESG.
Flexibilizações expõem limites da agenda ambiental
O cenário, porém, está longe de ser linear. A própria União Europeia tem flexibilizado pontos da regulação. O bloco decidiu excluir o couro do escopo da lei antidesmatamento, mesmo sendo parte da cadeia pecuária, após pressão de setores industriais. A legislação segue exigindo comprovação de origem para produtos como soja, café, carne bovina e óleo de palma, mas a retirada do couro expõe um ponto crítico: a aplicação das regras não é uniforme.
Esse tipo de exceção tem efeito direto sobre a coerência regulatória. Quando regras ambientais admitem flexibilizações relevantes, deixam de funcionar como padrão universal e passam a ser percebidas como negociáveis. Para o Brasil, isso cria um ambiente ambíguo: há estímulo para avançar em práticas sustentáveis e melhorar o posicionamento global, mas também o risco de competir em um cenário onde as exigências variam conforme o setor.
Acesso ampliado pode aumentar pressão sobre biomas
Outro ponto de atenção é que a ampliação do acesso ao mercado europeu tende a estimular setores intensivos em uso de terra, como agropecuária e mineração. Sem mecanismos robustos de controle, isso pode aumentar a pressão sobre biomas como Amazônia e Cerrado.
O mesmo acordo que pode impulsionar o ESG também pode tensioná-lo.
A chave, segundo a análise, está na execução. Se o Brasil aproveitar o momento para fortalecer a rastreabilidade, reduzir emissões e comunicar melhor seus diferenciais, o ganho pode ser estrutural. Caso contrário, o risco é permanecer como exportador de volume, sob pressão ambiental crescente.