Aliados pressionam por definição de candidaturas em MG; cresce temor de Pacheco desistir
Com convenções partidárias se aproximando, cobranças atingem Pacheco, Cleitinho e o PL, enquanto a direita segue dividida e a base de Lula teme recuo do senador.
04/05/2026 às 07:58por Redação Plox
04/05/2026 às 07:58
— por Redação Plox
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Com o calendário avançando e o prazo das convenções se aproximando, cresce a pressão sobre nomes que ainda não bateram o martelo na disputa em Minas nas eleições de outubro. A cinco meses do pleito, aliados cobram que Rodrigo Pacheco (PSB), Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o PL deixem de lado os ensaios e definam quem, de fato, estará em campo.
O fim de semana expôs a ansiedade de ambos os lados do tabuleiro. No sábado (2/5), o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Republicanos), irmão de Cleitinho, fez um apelo para que a direita se una em torno do senador. No domingo, a ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado Marília Campos (PT) publicou um vídeo pedindo rapidez na decisão de Pacheco, apontado como provável nome apoiado pelos petistas em Minas.
Base de Lula aumenta a cobrança após turbulência em Brasília
A cobrança é mais forte entre partidos da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento ganhou fôlego após a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira, o que reacendeu especulações sobre uma possível indicação de Pacheco para a Corte.
Somou-se a isso a briga entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP) — aliado de Pacheco —, ampliando entre lideranças petistas o temor de que o senador desista do Palácio Tiradentes na última hora.
Nesse ambiente, petistas em Minas tentam manter o diálogo com Pacheco e evitar que o episódio em Brasília contamine as articulações locais. Um interlocutor afirmou que há esforço para
“não politizar a situação”
a fim de impedir que a rejeição no Senado tenha reflexos nas eleições.
Pacheco ainda não confirmou se disputará o governo estadual, embora já tenha sinalizado disposição para atender a um convite de Lula. Ele tem até 5 de agosto — quando termina o prazo para as convenções partidárias — para anunciar uma decisão e fechar alianças eleitorais.
Interlocutores afirmam que o senador deve usar o prazo até o limite, o que tem incomodado parte das lideranças petistas, que querem um direcionamento mais claro para a campanha da esquerda no estado.
Marília Campos e petistas reforçam apelo por candidatura
E eu tenho respondido que Rodrigo Pacheco precisa vir como pré-candidato ao governo de Minas Gerais. Porque Minas Gerais precisa ser reconstruída. E nós precisamos de pessoas, de líderes, com a experiência, com o compromisso, com a capacidade de diálogo, de articulação que o Rodrigo tem
Marília Campos (PT)
Na mesma linha, o deputado federal Rogério Correia (PT), vice-líder do governo na Câmara, afirmou que o partido aguarda uma definição e declarou:
“Espero que Rodrigo Pacheco seja nosso candidato. Ele tem a nossa confiança”.
Presidente do PT em Minas, a deputada estadual Leninha disse acreditar que Pacheco entrará na disputa. Segundo ela, a decisão cabe ao senador e ele,
“por cautela”,
deve estar esperando o momento certo para anunciar.
Direita dividida entre Simões, Cleitinho e candidatura própria do PL
Do lado da direita, a indefinição também trava as costuras. Partidos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seguem divididos entre apoiar a reeleição do governador Mateus Simões (PSD) ou aderir à pré-candidatura de Cleitinho. No radar, ainda está a hipótese de o PL lançar chapa própria.
Em vídeo divulgado no sábado, Gleidson Azevedo cobrou publicamente uma decisão e defendeu a união em torno do irmão, apontando que o senador lidera as pesquisas de intenção de voto no estado, embora enfrente pressões para desistir.
Enquanto o impasse permanece, Cleitinho e Simões mantêm espaços abertos em suas chapas, mirando uma possível aliança com o PL, que segue avaliando se coloca um nome próprio na disputa.
Dentro do PL, a definição estaria concentrada na direção nacional, levando em conta as articulações em torno da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) à Presidência. Lideranças da legenda em Minas reconhecem que derrotar Lula é a meta principal, mas também defendem uma decisão rápida.
Uma alternativa que ganhou força no partido é a indicação do ex-presidente da Fiemg Flávio Roscoe, que se filiou ao PL. Um interlocutor avaliou que, para uma candidatura própria, seria necessário ir às ruas imediatamente para não perder tempo.
Lula insiste em Pacheco como principal nome em Minas
Há pelo menos dois anos, Lula vem citando Pacheco como o melhor nome para concorrer ao governo mineiro. Em junho de 2024, em entrevista exclusiva a O TEMPO, em Belo Horizonte, o presidente afirmou que o senador era a
“figura pública mais importante”
do estado e disse acreditar que ele tem condições de disputar e vencer as eleições. Desde então, o pedido tem sido reiterado. (Com Cynthia Castro)