Promotor detalha julgamento que condenou homem a 52 anos por feminicídio em Ipatinga

Crime, descrito como de extrema violência, ocorreu na madrugada de 18 de agosto de 2024, no bairro Vila Celeste; vítima de 37 anos morreu após cerca de 60 golpes de faca e a filha adolescente ficou internada por uma semana.

04/05/2026 às 18:50 por Redação Plox

O Tribunal do Júri da Comarca de Ipatinga condenou, nesta segunda-feira (4), Nailson Matos da Silva a 52 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado consumado e homicídio qualificado tentado. O caso, registrado em 2024 no bairro Vila Celeste, foi descrito como de extrema violência. O julgamento ocorreu no plenário da Câmara Municipal e começou às 9h.

Crime ocorreu dentro da casa do casal

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu em 18 de agosto de 2024, por volta das 6h, dentro da residência do casal. A vítima, Meilling Marili da Silva, de 37 anos, foi atacada enquanto dormia e sofreu cerca de 60 golpes de faca, não resistindo aos ferimentos.


As investigações apontaram que o relacionamento era marcado por ciúmes excessivos, ameaças e episódios recorrentes de violência. De acordo com o que foi apurado, o acusado teria planejado o ataque após a vítima manifestar o desejo de se separar, e a surpreendeu de forma brutal.


A dinâmica do crime e os elementos que sustentaram a acusação foram apresentados no plenário pelo promotor de Justiça Dr. Jonas Monteiro, representante do Ministério Público, que detalha o crime.



Dr. Jonas Monteiro - Promotor de Justiça.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

Adolescente tentou intervir e também foi atacada

Durante a ação, a filha da vítima, uma adolescente de 15 anos, tentou intervir ao ouvir os gritos de socorro. Ela também foi atingida por golpes de faca, principalmente na face e nos braços. Mesmo ferida, conseguiu fugir e foi socorrida, permanecendo internada por cerca de uma semana.

Ministério Público aponta motivo torpe, meio cruel e feminicídio

O Ministério Público sustentou que o crime foi cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas. O caso foi enquadrado como feminicídio, por ter ocorrido em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.


No caso da adolescente, a tentativa de homicídio também foi caracterizada como forma de assegurar a execução do crime contra a mãe.

Réu foi preso em flagrante e Conselho de Sentença acolheu acusação

Após o ataque, o acusado foi localizado e preso em flagrante pela Polícia Militar. Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença acatou integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público, reconhecendo a responsabilidade do réu por todos os crimes imputados.


A pena aplicada foi considerada elevada e, conforme a acusação, reflete a gravidade dos fatos e a brutalidade da conduta. Para o promotor Jonas Monteiro, a decisão representa uma resposta firme do sistema de Justiça diante de crimes dessa natureza.


Dr. Jonas Monteiro - Promotor de Justiça.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

Nota destaca necessidade de enfrentamento à violência contra a mulher

Em nota, o Ministério Público afirmou que o caso evidencia a necessidade de enfrentamento rigoroso à violência contra a mulher, especialmente em contextos domésticos, nos quais as vítimas frequentemente estão em situação de vulnerabilidade.


A condenação reforça o entendimento de que crimes de feminicídio, sobretudo quando marcados por extrema violência, devem receber punições severas como forma de repressão e também de prevenção.

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