Governo lança Desenrola Brasil 2.0 com juros de até 1,99% e descontos de até 90%
Nova etapa do programa de renegociação será apresentada nesta segunda-feira (4) no Palácio do Planalto e inclui dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e Fies; adesão prevê bloqueio de acesso a bets por um ano.
04/05/2026 às 10:54por Redação Plox
04/05/2026 às 10:54
— por Redação Plox
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O governo Lula (PT) lança nesta segunda-feira (4) o Desenrola Brasil 2.0, nova versão do programa de renegociação de dívidas realizado em 2023. A cerimônia está prevista para a manhã, no Palácio do Planalto.
A nova etapa permitirá renegociar débitos de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). As taxas de juros serão de até 1,99%, e os descontos podem chegar a 90%.
Programa para endividados terá trava para apostas em bets, renegociações de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e Fies.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
Bloqueio de apostas por um ano
Os pontos do programa foram antecipados por Lula em pronunciamento na quinta-feira (30). Entre as novidades, o presidente disse que quem aderir ao Novo Desenrola ficará impedido de acessar plataformas de apostas online, conhecidas como bets, por um ano.
Agora, o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. Por isso, quem aderir ao Novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on-line. Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos
Presidente Lula
FGTS entra como ferramenta para quitar dívidas
Um dos pilares do programa será o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar débitos. Os beneficiários poderão usar até 20% do saldo do fundo para sair do endividamento.
Para garantir que o dinheiro seja direcionado ao pagamento das dívidas, a transferência será feita diretamente entre os bancos. Na prática, se o beneficiário tiver uma dívida de R$ 2 mil e saldo suficiente no FGTS, poderá autorizar a Caixa Econômica Federal a transferir o valor à instituição financeira credora.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), estima que o programa terá impacto de R$ 4,5 bilhões no FGTS. O esboço do Desenrola 2.0 prevê ainda uma trava de R$ 8 bilhões para a saída de recursos do fundo voltada ao programa.
Críticas e impacto no setor habitacional
A medida vem sendo criticada por analistas e setores produtivos, que apontam risco de prejuízos ao setor de habitação e de redução do “colchão” financeiro do trabalhador.
Marinho, no entanto, afirmou que não há riscos para o programa Minha Casa, Minha Vida, argumentando que o volume sacado representaria menos de 1% do saldo total do fundo.
A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) já manifestou preocupação com a proposta do governo federal, avaliando que a iniciativa pode desvirtuar a finalidade do FGTS e afetar o setor habitacional.
Endividamento recorde e novas fases em estudo
A renegociação de dívidas é estimulada em um cenário de juros elevados e alto endividamento. Segundo o Banco Central, o indicador de endividamento das famílias subiu novamente e chegou a 49,9% em fevereiro — o maior nível da série histórica iniciada em 2005, que mede a relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses.
O BC também registrou recorde no comprometimento da renda com o serviço da dívida, que alcançou 29,7% em fevereiro.
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa pode ganhar outras fases, com três grupos focais: famílias, informais e pequenas empresas. Nesta primeira etapa, segundo ele, o atendimento será voltado às pessoas físicas.