Alckmin critica “tarifaço” e aposta em diálogo em encontro Lula–Trump em Washington
Vice-presidente diz que reunião desta semana terá peso estratégico para comércio, investimentos e tarifas, citando negociações sobre big techs, minerais estratégicos, data centers e barreiras não tarifárias.
04/05/2026 às 16:45por Redação Plox
04/05/2026 às 16:45
— por Redação Plox
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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (4), em São Paulo, que espera que o próximo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seja conduzido pelo diálogo. A previsão é que os dois se reúnam nesta semana, em Washington.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira (4), na capital paulista, que espera que o próximo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seja pautado pelo diálogo.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Eu torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício dos dois grandes países, duas grandes democracias do Ocidente
Geraldo Alckmin
Encontro deve tratar de comércio, investimentos e tarifas
Alckmin avaliou que a reunião terá peso estratégico, ao lembrar o papel dos Estados Unidos na economia brasileira. Segundo ele, o país norte-americano é o terceiro parceiro comercial do Brasil, atrás da China e da União Europeia, e o principal investidor no país.
Na avaliação do vice-presidente, a pauta também deve abordar a questão tarifária. Ele afirmou que o governo sempre defendeu uma relação melhor e criticou o que chamou de “tarifaço”, argumentando que os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com muitos países, mas não com o Brasil.
Para Alckmin, a conversa tende a ser positiva para os dois lados, com espaço para negociações envolvendo big techs, terras raras e minerais estratégicos. Ele também citou o Redata, programa voltado à atração de data centers, como uma frente de oportunidades para investimentos recíprocos, além da intenção de reduzir barreiras não tarifárias.
Novo Desenrola mira famílias e pequenos negócios
O vice-presidente também comentou o novo programa Desenrola, anunciado na manhã desta segunda-feira pelo presidente Lula. A iniciativa é voltada à renegociação de dívidas de pessoas com renda de até cinco salários mínimos e prevê a possibilidade de negociar débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
De acordo com Alckmin, o programa é necessário por ajudar as famílias e pode oferecer descontos que chegam a 90%, além de garantir juros mais baixos e também atender pequenas empresas.
Agenda com empresários destaca acordo Mercosul-União Europeia
Alckmin participou nesta segunda-feira de encontro na Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, em São Paulo. Durante a reunião com empresários, ele ressaltou a importância da assinatura do acordo entre os países do Mercosul e os que compõem a União Europeia, apontando impactos sobre investimentos recíprocos, integração produtiva e complementaridade econômica.
Dados da Business Climate Survey 2026, divulgada pela Câmara, indicam que 63% das empresas suecas com atuação no Brasil esperam aumentar o abastecimento a partir da Europa com base no acordo Mercosul–União Europeia. Segundo o levantamento, 49% veem oportunidades de ampliar as exportações do Brasil para o continente europeu.
A pesquisa foi realizada entre 30 de janeiro e 6 de março deste ano com 60 empresas suecas e apontou ainda que 73% delas declararam ter obtido lucro no Brasil em 2025. Para a Câmara, o resultado é “expressivo” diante de um cenário de desaceleração econômica e de taxas de juros historicamente elevadas.
Outro dado apresentado é que 46% das empresas suecas confirmaram planos de aumentar os investimentos no Brasil nos próximos doze meses.