Câmara e governo aceleram projeto para reduzir jornada a 40 horas sem corte de salário

Proposta mira mudar a escala 6x1 e prevê dois dias de descanso remunerado; relator deve apresentar parecer nesta semana, enquanto campanha do Planalto tenta pressionar o Congresso.

04/05/2026 às 08:38 por Redação Plox

A proposta de mudança na escala de trabalho 6x1 entrou no centro da agenda política em Brasília nesta semana, em uma ofensiva liderada pela Câmara dos Deputados e pelo governo federal para tentar destravar a medida ainda em maio.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer acelerar a tramitação e já definiu um cronograma com previsão de aprovação do texto neste mês. A expectativa é que o relator, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresente o parecer nesta semana.

Escala 6x1: setores devem ser impactados pela PEC que quer mudar jornada de trabalho •

Escala 6x1: setores devem ser impactados pela PEC que quer mudar jornada de trabalho •

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil


Câmara tenta dar ritmo à tramitação

Na semana passada, Motta convocou sessões do plenário para todos os dias desta semana. A estratégia, segundo o planejamento em curso, teve como objetivo contar para o prazo da comissão especial responsável pela análise da proposta.

Agora, o plano é aproveitar a mobilização política em torno do Dia do Trabalhador para consolidar apoio entre os parlamentares e dar tração ao texto.

Governo lança campanha nacional pela mudança

Paralelamente, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou uma campanha nacional em defesa do fim da escala 6x1, com peças publicitárias previstas para televisão, rádio, internet e cinema.

Com o slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário”, a campanha busca ampliar o debate público e pressionar o Congresso pela aprovação da proposta.

O que muda na jornada e quem pode ser beneficiado

O projeto estabelece a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com manutenção dos salários, e prevê dois dias de descanso remunerado por semana, substituindo o modelo atual de seis dias de trabalho para um de folga.

Segundo o governo, cerca de 37 milhões de trabalhadores podem ser beneficiados diretamente. Dados oficiais indicam ainda que aproximadamente 14,8 milhões de brasileiros atuam atualmente na escala 6x1.

A proposta também é defendida com base em estudos que associam jornadas mais longas ao aumento de problemas de saúde relacionados ao trabalho, além de possíveis impactos na produtividade.

Resistência de setores empresariais

Apesar da movimentação conjunta, o texto enfrenta resistência de setores empresariais, que apontam risco de aumento de custos e impacto na organização do trabalho.

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