Lula vai se reunir com Trump em Washington; encontro deve tratar PCC e Comando Vermelho e tarifas dos EUA

Presidente inicia viagem aos Estados Unidos na quarta (6) e prevê levar ao menos um ministro, com tendência de participação do titular da Fazenda, Dario Durigan, em agenda considerada delicada de reaproximação bilateral.

04/05/2026 às 17:58 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu levar ao menos um ministro para a reunião com Donald Trump, marcada para quinta-feira (7), em Washington. A tendência é que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, integre a comitiva.

Durigan esteve nos Estados Unidos em abril, quando participou das reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI). Na ocasião, ele se encontrou com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, para tratar de cooperação econômica entre os dois países. As informações são de Igor Gadelha, do Metrópoles.

Lula e Dario Durigan

Lula e Dario Durigan

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Pauta inclui facções e divergências na política externa

O encontro entre Lula e Trump deve abordar temas sensíveis, como a possível classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristasmedida discutida no governo americano.

A reunião foi antecipada pelo jornal O Globo nesta segunda-feira (4) e confirmada por outros veículos. O encontro ocorre em meio a divergências entre os dois governos, especialmente sobre política externa.

Enquanto Trump tem priorizado ações relacionadas ao conflito com o Irã, Lula tem feito críticas à atuação americana no Oriente Médio e se posiciona contra o governo de Benjamin Netanyahu, aliado de Trump. Além disso, o republicano tem adotado uma postura mais dura com líderes estrangeiros, incluindo situações consideradas constrangedoras em encontros oficiais.

Tentativa de reaproximação em cenário delicado

A viagem de Lula aos Estados Unidos está prevista para começar na quarta-feira (6), véspera da reunião na Casa Branca. O encontro é tratado pelo governo brasileiro como uma tentativa de reaproximação entre os países.

Entre os temas previstos estão comércio, minerais estratégicos, cooperação em segurança pública e a situação da Venezuela. O Brasil também tenta reverter tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos nacionais.

O cenário é considerado delicado. Na semana passada, Lula enfrentou derrotas no Congresso, como a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada de um veto presidencial relacionado à dosimetria de penas.

Adiado após crise no Oriente Médio, encontro volta ao radar

Inicialmente marcado para março, o encontro foi adiado após a escalada da crise no Oriente Médio, que alterou prioridades da Casa Branca.

Outro ponto de tensão envolve a segurança pública. O governo brasileiro tenta evitar que facções como PCC e CV sejam classificadas como organizações terroristas pelos EUA, posição defendida pela gestão Trump.

As relações também sofreram impacto recente após a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos. O episódio gerou medidas de reciprocidade entre os dois países, com suspensão de credenciais diplomáticas.

A expectativa do Itamaraty é de que a reunião ajude a reduzir atritos e avance em pautas econômicas entre Brasília e Washington.

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