Cacai Toledo, ex-presidente do União Brasil, é preso acusado de assassinato ligado a primo de Caiado

Prisão de Cacai Toledo e conexão com o assassinato de Escobar

Por Plox

04/06/2024 08h57 - Atualizado há cerca de 2 meses

Na última segunda-feira (3), Carlos César Savastano Toledo, conhecido como Cacai Toledo, foi preso em Brasília por policiais civis de Goiás. Toledo, ex-presidente do União Brasil no estado, estava foragido há sete meses, acusado de ser um dos responsáveis pela morte do empresário Fábio Alves Escobar Cavalcante. A execução de Escobar, ocorrida em 23 de junho de 2021, teria sido motivada por vingança após ele denunciar desvios de dinheiro na campanha eleitoral de 2018.

Foto: Reprodução/Youtube/Polícia Civil de Goiás

Detalhes do caso e envolvimento de Jorge Caiado

Cacai Toledo, que coordenou a campanha política de Ronaldo Caiado ao governo de Goiás em 2018, trabalhou junto com a vítima, Fábio Escobar. Após a eleição vitoriosa, Toledo assumiu o cargo de diretor administrativo da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), de onde foi afastado em 2020 por suspeitas de fraudes em licitações.

Jorge Caiado, primo do governador Ronaldo Caiado, também é acusado de envolvimento no assassinato de Escobar, resultando em uma série de execuções para esconder evidências. Doze policiais militares goianos são acusados de participação nesses crimes, incluindo a morte de uma mulher grávida de sete meses.

Escobar: das denúncias ao assassinato

Após romper com Cacai, Fábio Escobar passou a criticar a gestão de Ronaldo Caiado nas redes sociais e a denunciar supostos desvios de dinheiro por parte de Toledo. Em um vídeo, Escobar revelou ter recebido uma tentativa de suborno de R$ 150 mil para interromper as denúncias, dinheiro que ele devolveu e relatou às autoridades.

A morte de Escobar ocorreu em uma emboscada na noite de 23 de junho de 2021, quando foi atraído por um suposto negócio envolvendo uma lavanderia. O empresário foi assassinado ao sair de um táxi, sendo alvejado por dois homens mascarados.

Investigações e denúncias do Ministério Público

De acordo com o Ministério Público de Goiás (MPGO), Jorge Caiado utilizou sua influência na Secretaria de Segurança do estado para auxiliar no planejamento do assassinato. A denúncia aponta que ele apresentou Cacai Toledo ao policial militar Welton da Silva Veiga, líder de um grupo de extermínio. Veiga, junto com outros policiais militares, executou o assassinato de Escobar.

O MPGO também destacou que, sem a influência de Jorge Caiado, Toledo não teria conseguido realizar o crime. Os promotores afirmam que Caiado proporcionou apoio moral e incentivou os planos de Toledo.

Provas e consequências

Durante a Operação Negociatas, em 2020, Cacai Toledo foi preso por suspeita de fraude na Codego. Na ocasião, seu celular foi apreendido, contendo mensagens comprometedoras que incluíam ordens para perseguir, grampear e espancar Escobar.

Além da morte de Escobar, outras sete pessoas foram assassinadas para encobrir provas, com simulações de confrontos realizadas por PMs. Investigadores descobriram movimentações financeiras milionárias incompatíveis com os rendimentos de policiais militares envolvidos no caso.

Citação do MP e defesa de Cacai

Em dezembro, o Ministério Público denunciou Jorge Caiado e outros envolvidos, com base em evidências robustas. A defesa de Cacai Toledo alegou que ele não se entregou antes por falta de garantias de vida, mas agora espera que sua integridade seja preservada pelas autoridades competentes.

“A defesa informa que estava em tratativas com as autoridades competentes para apresentar Carlos César Savastano de Toledo, cuja única exigência sempre foi de que sua vida seja protegida. Ele teme, com razão, os verdadeiros mandantes do crime praticado contra Fábio Escobar. Agora, com o cumprimento do mandado de prisão, confia que sua integridade seja preservada pelas forças de segurança pública, Ministério Público e Poder Judiciário”, diz a nota.

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