CMN aprova regras financeiras do Fies Empreendedor e do Desenrola Adimplentes

Decisão define juros, prazos, carência e participação do Banco do Brasil e da Caixa; implementação ainda depende de critérios complementares e abertura dos canais de contratação.

04/07/2026 às 07:26 por Redação Plox

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, na sexta-feira (3), as regras financeiras do Fies Empreendedor e do Desenrola Adimplentes, programas criados para oferecer crédito a beneficiários que mantêm seus compromissos em dia. As resoluções estabelecem juros, prazos, períodos de carência e a participação do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal nas operações. 


CMN define juros e prazos do Fies Empreendedor e do Desenrola Adimplentes.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo


Crédito para empreender com juros de até 11,19% ao ano

O Fies Empreendedor permitirá que beneficiários adimplentes do financiamento estudantil contratem recursos para investir em atividades empreendedoras. Pessoas físicas poderão financiar o próprio negócio, enquanto empresas das quais o beneficiário seja sócio poderão usar o dinheiro como capital de giro. Os critérios detalhados de acesso ainda serão definidos pelo Ministério da Fazenda


Crédito para empreender com juros de até 11,19% ao ano.

Foto: Reprodução


A taxa cobrada poderá chegar a 11,19% ao ano. Desse total, até 8,94% serão destinados à remuneração das instituições financeiras e 2,06% corresponderão ao custo dos recursos disponibilizados pela União. Banco do Brasil e Caixa ficarão responsáveis pela operação da linha.

Para pessoas físicas, o financiamento poderá ser pago em até 60 meses, já incluída uma carência de até seis meses. No caso das pessoas jurídicas, o prazo máximo será de 96 meses, o equivalente a oito anos, com carência de até 12 meses. Durante esse período inicial, os juros não poderão ser incorporados ao saldo devedor. 



Banco do Brasil e Caixa ficarão responsáveis pela operação da linha.

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil/Henrique Lacerda/PLOX


Desenrola atenderá trabalhadores informais que vinham pagando as dívidas

Apesar do nome, o Desenrola Adimplentes não foi criado para dívidas antigas acumuladas por pessoas inadimplentes. O público-alvo é formado principalmente por trabalhadores informais que estavam pagando operações de crédito, mas enfrentavam juros elevados. Celetistas, servidores públicos, aposentados e pensionistas não estão incluídos. A medida provisória também exige o pagamento de pelo menos quatro parcelas e admite atraso de, no máximo, 90 dias, quando houver. 


Desenrola atenderá trabalhadores informais que vinham pagando as dívidas.

Foto: Divulgação/Agência Brasil


A União poderá disponibilizar até R$ 3 bilhões para sustentar as renegociações, conforme a disponibilidade orçamentária. O modelo prevê que 70% dos recursos das novas operações venham do governo federal e 30% sejam aportados pelo Banco do Brasil e pela Caixa. A parcela dos bancos será remunerada com base na taxa Selic.

Os recursos da União terão remuneração de 1% ao ano. As instituições participantes devolverão esse dinheiro aos agentes financeiros com acréscimo de 1,25% ao ano. Quando a renegociação for feita diretamente pelo Banco do Brasil ou pela Caixa, a remuneração cairá para 0,5% ao ano, devido à redução dos custos operacionais. A implementação dos programas ainda dependerá da divulgação de critérios complementares e da abertura dos canais de contratação pelas instituições financeiras.

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