Dólar pressiona e bolsa oscila após tarifaço de Trump

Especialistas analisam os efeitos das novas tarifas dos EUA sobre o câmbio e o mercado financeiro brasileiro

Por Plox

04/08/2025 09h36 - Atualizado há 26 dias

Após o anúncio do tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o cenário econômico brasileiro entrou em alerta. A oscilação do dólar e as reações na bolsa de valores se tornaram pontos centrais de discussão entre analistas financeiros e investidores neste mês de agosto.


Imagem Foto: Agência Brasil


Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, explica que, embora o pacote tarifário tenha provocado apreensão inicial, o impacto efetivo sobre a balança comercial foi atenuado por uma lista de exceções. \"Com base na elasticidade cambial e nos efeitos moderados do tarifaço, é esperado que o câmbio se deprecie entre 3% e 4% em comparação ao valor anterior ao anúncio, por volta de 9 de julho\", afirma. Na ocasião, o dólar estava cotado a R$ 5,40, e a projeção gira agora entre R$ 5,50 e R$ 5,60.



Para que a desvalorização ultrapassasse esse patamar, segundo ele, seria necessário um agravamento nas tensões comerciais, o que incluiria uma possível retaliação brasileira – algo que, por ora, não está nos planos do governo, que opta por negociações diplomáticas.


Enquanto isso, Thiago Meira de Castro, especialista em engenharia financeira, observa que a moeda americana também vem sofrendo globalmente, influenciada por fatores internos como as incertezas fiscais dos EUA e os efeitos do isolamento comercial. \"O euro valorizou, chegando a US$ 1,17, um sinal claro da perda de força do dólar no cenário global\", pontua. No Brasil, o reflexo foi imediato: o dólar comercial, que fechou julho em R$ 5,62, caiu para R$ 5,5453 no dia 1º de agosto, recuo de 0,98%.


\"Apesar desse alívio, o ambiente continua instável, com investidores estrangeiros demonstrando cautela em razão da política interna e da economia nacional\", alerta o economista.


Na bolsa de valores, o panorama também é incerto. Bruno Benassi, analista de ativos da Monte Bravo, destaca que empresas brasileiras como a Embraer, inicialmente tidas como vulneráveis ao tarifaço, acabaram incluídas entre as exceções. No entanto, outros fatores podem abalar o desempenho da B3, como a percepção de risco dos investidores estrangeiros sobre o país.


Outro fator de tensão veio após os Estados Unidos aplicarem a lei Magnitsky contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Alex André, economista, destaca que a medida internacional gera reflexos diplomáticos que podem afetar o mercado: \"O Brasil passa a ser visto como uma nação em possível conflito com princípios de direitos humanos, o que acende um alerta em relações exteriores e investimentos\".



Em meio a essa instabilidade, algumas recomendações ganham força. Alexandre Miserani, professor de Economia do UniArnaldo, sugere foco em ações mais estáveis e tradicionais, como Petrobras e Embraer. Ele ressalta que, caso o Brasil adote medidas de reciprocidade contra os EUA, setores como o de tecnologia podem ser prejudicados, já que dependem de produtos norte-americanos.


Alex André complementa que, nesse cenário, o ideal é buscar ativos com receita mais previsível, baixa volatilidade e menor exposição ao mercado externo – uma forma de proteger o investimento diante das incertezas do cenário atual.



Com o desenrolar dos efeitos do tarifaço, tanto a cotação do dólar quanto os movimentos da bolsa devem continuar em observação atenta pelos próximos dias.


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