Ipatinga amplia atendimento a pessoas com transtorno de acumulação compulsiva

Política municipal reúne equipes de diferentes áreas para avaliar riscos, elaborar planos individuais e realizar limpeza assistida.

04/08/2026 às 12:17 por Redação Plox

lgação/Prefeitura Municipal de IpatingaA Prefeitura de Ipatinga vem ampliando o atendimento às pessoas com transtorno de acumulação compulsiva. A iniciativa é conduzida pelo Comitê Intersetorial de Atenção às Pessoas em Situação de Acumulação, instituído pela Lei Municipal nº 5.273/2026, que criou a Política Municipal de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Acumulação. A legislação estabelece uma ação coordenada entre diferentes áreas da administração pública, priorizando o cuidado com as pessoas, a proteção da saúde pública, do meio ambiente e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. 


Prefeitura de Ipatinga fortalece atendimento a pessoas com transtorno de acumulação compulsiva.

Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Ipatinga


O Comitê reúne equipes das secretarias municipais de Saúde, Assistência Social, Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) e Segurança e Convivência Cidadã (Sescon), além de outros órgãos que podem ser acionados conforme a necessidade de cada situação.

A abordagem segue os princípios da legislação municipal

A abordagem segue os princípios da legislação municipal, priorizando o atendimento humanizado, o respeito à dignidade da pessoa, a redução de danos e a mínima intervenção necessária. A limpeza dos imóveis é realizada de forma assistida e somente ocorre após avaliação técnica e, sempre que possível, com o consentimento dos moradores.  


Abordagem segue os princípios da legislação municipal.

Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Ipatinga.


Antes mesmo da criação da Política Municipal, a Prefeitura de Ipatinga já desenvolvia esse serviço de forma integrada desde 2017. As ações eram conduzidas pela DESURB/SESUMA, em parceria com a Seção de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, abrangendo o levantamento e o mapeamento dos imóveis, a avaliação dos riscos sanitários e ambientais, a limpeza assistida e o acompanhamento dos moradores. Com a Lei Municipal nº 5.273/2026, essa atuação foi fortalecida e institucionalizada, ampliando a articulação entre os órgãos envolvidos e estruturando um fluxo permanente de atendimento. O processo permitiu identificar os imóveis, classificá-los conforme o grau de risco e realizar intervenções cada vez mais qualificadas e humanizadas.

A coordenadora do Comitê Intersetorial de Atenção às Pessoas em Situação de Acumulação (CIAPSA)

A coordenadora do Comitê Intersetorial de Atenção às Pessoas em Situação de Acumulação (CIAPSA), Patrícia Moreira, destaca que o enfrentamento da acumulação compulsiva exige sensibilidade e integração entre as equipes.

Nosso foco é cuidar das pessoas. A acumulação compulsiva é uma condição complexa, que exige acolhimento, escuta e acompanhamento contínuo. Cada situação é tratada de forma individualizada, respeitando o tempo e a realidade de cada paciente. O apoio da comunidade também faz diferença nesse processo, contribuindo para que essas pessoas recuperem sua qualidade de vida e fortaleçam seus vínculos familiares e sociais.Patrícia Moreira

A iniciativa também conta com o apoio de denominações religiosas, voluntários e membros da comunidade, que colaboram nos mutirões de limpeza e nas ações de apoio às famílias.

Os atendimentos começam após a identificação das ocorrências

Os atendimentos começam após a identificação das ocorrências pelas equipes da Prefeitura ou por meio de denúncias da população. Em seguida, é realizada uma avaliação multiprofissional, considerando aspectos de saúde, assistência social e as condições do imóvel. A partir desse diagnóstico, é elaborado o Plano Individual de Atendimento (PIA), instrumento previsto na Lei nº 5.273/2026 que orienta todas as etapas da intervenção.

Um dos atendimentos recentes demonstra a dimensão desse serviço. Em um mutirão, foram retiradas aproximadamente 50 caçambas de materiais inservíveis de uma única residência, evidenciando a complexidade da intervenção e a necessidade da atuação conjunta das equipes. 


Atendimentos começam após a identificação das ocorrências.

Foto: Reprodução


O Comitê acompanha outras ocorrências em diferentes regiões da cidade. Em uma delas, foi encontrada uma residência em condições extremamente precárias, com grande quantidade de inservíveis, fezes, fraldas geriátricas, mofo e forte odor de amônia, colocando em risco a saúde dos moradores. Em outro atendimento, dois integrantes da mesma família recebem assistência por apresentarem transtorno de acumulação compulsiva. Há ainda situações em que moradores, inicialmente resistentes, passaram a aceitar o acompanhamento das equipes e iniciaram tratamento na rede municipal de saúde.

Durante as vistorias

Durante as vistorias, algumas residências também apresentavam cães e gatos mantidos em condições inadequadas de higiene, alimentação e bem-estar. Nesses casos, a Seção de Controle de Zoonoses realizou a avaliação técnica e executou as ações pertinentes às atribuições do setor, como testes para leishmaniose, vacinação antirrábica e encaminhamento para castração, contribuindo para a proteção da saúde dos animais e da população. Paralelamente, os agentes de combate às endemias vistoriaram e trataram os imóveis para eliminar focos do mosquito Aedes aegypti e prevenir outras arboviroses, reforçando as medidas de proteção à saúde pública.

Após a limpeza dos imóveis, o suporte continua por meio das equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que realizam visitas domiciliares, monitoramento e ações de cuidado. Quando necessário, os pacientes também são encaminhados para a rede municipal de Saúde Mental.

A Política Municipal prevê o monitoramento permanente das situações

A Política Municipal prevê o monitoramento permanente das situações, com reavaliações periódicas e integração entre os serviços públicos, reduzindo as possibilidades de reincidência e promovendo a reinserção social das pessoas atendidas. A população também pode contribuir com informações por meio da Ouvidoria da Prefeitura de Ipatinga, pelo telefone (31) 3829-8156, de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h, para comunicar casos que necessitem de acompanhamento.

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