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Registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação apontam que Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, esteve cinco vezes na sede do Ministério da Saúde, em Brasília, entre março de 2024 e fevereiro de 2025. Em todas as entradas, ele informou que seguiria para a Secretaria-Executiva, então comandada por Swedenberger Barbosa, o Berger, atual chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal da Presidência da República.
Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS
Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Das cinco visitas registradas na portaria, apenas uma constava na agenda oficial de Berger. O ex-secretário-executivo confirmou ao Metrópoles que recebeu Antunes nessa ocasião e afirmou que a conversa tratou de negócios relacionados à cannabis medicinal.
Em 2024, Antunes entrou no prédio do Ministério da Saúde nos dias 6 de março, 13 de agosto e 20 de dezembro. Nas três ocasiões, apresentou-se como diretor de uma empresa do setor de telemedicina. Em uma das visitas, estava acompanhado da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
As outras duas entradas ocorreram em 13 de janeiro e 17 de fevereiro de 2025. Nesses registros, Antunes se identificou como presidente da World Cannabis, empresa voltada ao mercado de cannabis medicinal. A Secretaria-Executiva ainda estava sob o comando de Berger, que deixou o Ministério da Saúde em março daquele ano.
“Berger já está com aquela orientação em mãos”. mensagem com a afirmação
Entre as visitas, Antunes encaminhou a um interlocutor, em novembro de 2024, uma mensagem com a afirmação: “Berger já está com aquela orientação em mãos”. O material foi obtido pelo Metrópoles e, segundo o veículo, está entre os documentos analisados pela Polícia Federal. O conteúdo ou a finalidade da suposta orientação não foram esclarecidos publicamente.
As visitas passaram a integrar o contexto da investigação sobre negócios envolvendo cannabis medicinal e as relações de Antunes com Lulinha e Roberta Luchsinger. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O procedimento tramita sob sigilo.
A defesa de Lulinha afirmou ter recebido a abertura da investigação com estranheza e declarou que demonstrará que o empresário não possui relação direta ou indireta com irregularidades. Os registros das visitas, isoladamente, não comprovam a prática de crime, e não há conclusão pública da Polícia Federal sobre eventual irregularidade nos encontros.