PF aponta promoção sem experiência mínima e omissão de panes em voo da Voepass
Relatório final sobre a queda do voo 2283, em Vinhedo (SP), cita relatos de pressão para não registrar falhas técnicas; acidente matou 62 pessoas.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado relator do terceiro pedido apresentado pela Polícia Federal para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caberá ao magistrado decidir se autoriza a abertura do novo inquérito.
Flávio Dino
Foto: Victor Piemonte/STF
A PF pretende apurar suspeitas de tráfico de influência em órgãos do governo federal para favorecer empresas relacionadas ao empresário. A distribuição do pedido a Dino não representa abertura automática da investigação nem indica responsabilidade criminal de Lulinha.
Outros dois inquéritos contra o filho do presidente foram autorizados pelo ministro André Mendonça. Um deles apura uma possível atuação em negociações envolvendo produtos à base de cannabis medicinal e contatos no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto.
O segundo procedimento investiga a relação de Lulinha com Cléber Ribas de Oliveira, sócio da empresa de tecnologia 3Structure IT. A suspeita é de que o empresário tenha buscado acesso à Dataprev e a outros órgãos federais e custeado ao menos uma viagem de Lulinha em troca de facilidades no governo. A Dataprev declarou não manter contratos com a empresa.
Levantamento do Poder360, elaborado a partir do Portal da Transparência e do Diário Oficial da União, aponta que a 3Structure acumulou seis contratos com órgãos federais, que somam R$ 81,19 milhões. Cinco deles teriam sido precedidos de licitação. Um dos acordos foi firmado em 2022, ainda no governo de Jair Bolsonaro, e os demais durante a atual gestão federal.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, integrante da defesa de Lulinha, afirmou que a Polícia Federal estaria promovendo uma
pesca probatória ao solicitar novas apurações.
Ele também disse que pretende cobrar explicações do Ministério da Justiça e alegou que a sucessão de inquéritos poderia interferir no processo eleitoral.
Lulinha nega ter atuado para beneficiar empresários ou empresas dentro do governo. Agora, o pedido permanece sob análise de Flávio Dino, que poderá autorizar a investigação, solicitar informações adicionais ou rejeitar a abertura do terceiro inquérito.