Flexibilização da CNH teria causado cerca de 100 mil demissões em autoescolas

Estimativa foi apresentada pelo presidente da Feneauto após mudanças nas regras de formação de condutores, mantidas pelo STF até julgamento do plenário.

04/08/2026 às 17:32 por Redação Plox

A flexibilização do processo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) teria provocado cerca de 100 mil demissões no setor de autoescolas desde o início de 2026. O número foi apresentado pelo presidente da Federação Nacional das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores (Feneauto), Ygor Valença, e representa uma estimativa da entidade, não um balanço oficial do governo.

Exame prático de direção no Detran-SP passa por mudanças e deixa de exigir baliza.

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Foto: Lia de Paula/Agência Senado.

Valença afirma que aproximadamente 60 mil profissionais que exerciam funções de direção-geral ou pedagógica deixaram de atuar após as mudanças. Outros 35 mil a 40 mil desligamentos teriam atingido instrutores responsáveis pelas aulas teóricas. Segundo o representante, autoescolas de menor porte reduziram em até 80% o quadro de funcionários para se adaptar ao novo modelo.

Novas regras reduziram aulas obrigatórias

As alterações foram instituídas pela Resolução nº 1.020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em dezembro de 2025. A norma reduziu de 20 para duas horas a carga mínima de aulas práticas exigida para as categorias A e B e permitiu que o treinamento seja oferecido por instrutores autônomos devidamente autorizados pelos órgãos de trânsito.

O curso teórico também passou a ser oferecido gratuitamente e em formato digital pelo aplicativo CNH do Brasil. O candidato pode continuar recorrendo a uma autoescola, mas a contratação do estabelecimento deixou de ser obrigatória. Os exames teórico e prático permanecem necessários para a emissão da habilitação.

O Ministério dos Transportes sustenta que o novo formato pode reduzir em até 80% o custo para obtenção da CNH e ampliar o acesso ao documento. A Feneauto afirma não contestar a redução da carga mínima das aulas práticas, mas critica a existência de sistemas diferentes para o registro das atividades realizadas por autoescolas e instrutores independentes.

CNH

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Foto: reprodução


Mudanças são questionadas no STF

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apresentou ao Supremo Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade 7.978. A entidade sustenta que dispositivos da resolução extrapolam o poder regulamentar do Contran, prejudicam a fiscalização dos estados e fragilizam mecanismos de controle da formação dos condutores.

O relator, ministro André Mendonça, não suspendeu as novas regras e decidiu encaminhar o caso para julgamento pelo plenário. Ele solicitou informações à Presidência da República, ao Ministério dos Transportes e ao Contran antes das manifestações da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da República. Enquanto não houver uma decisão do STF, o modelo flexibilizado permanece em vigor no país.

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