PF aponta promoção sem experiência mínima e omissão de panes em voo da Voepass
Relatório final sobre a queda do voo 2283, em Vinhedo (SP), cita relatos de pressão para não registrar falhas técnicas; acidente matou 62 pessoas.
A Polícia Federal apontou que Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha, esposa do senador Weverton Rocha (PDT-MA), teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas ao advogado Willer Tomaz de Souza. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas em uma nova fase da Operação Sem Desconto nesta terça-feira (4).
Weverton Rocha
Foto: crédito: Reprodução/PDT
Ao todo, a PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de empresas, contas de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie para ocultar a origem e a destinação de recursos.
A decisão registra ainda diálogos nos quais Weverton teria cobrado, entre setembro e outubro de 2024, um repasse de R$ 500 mil. Após tratar do pagamento com Willer, uma operadora financeira informou ao senador que o valor estava na conta pessoal de Samya. Os repasses superiores a R$ 11 milhões teriam partido principalmente do escritório Aragão e Tomaz Advogados Associados, segundo a investigação.
Outro ponto apurado é a compra de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, apontada como residência de Weverton. Embora o senador tivesse participado das tratativas envolvendo R$ 4 milhões de entrada e R$ 2 milhões de saldo, o imóvel foi formalmente adquirido, em abril de 2023, pela WT Administração de Imóveis e Bens, ligada a Willer Tomaz. Para a PF, a diferença entre o proprietário registrado e o possível beneficiário econômico precisa ser esclarecida.
Os investigadores também identificaram transferências de R$ 5 milhões e R$ 2 milhões envolvendo postos de combustíveis e empresas ligadas à família do senador. A decisão menciona ainda registros de movimentações em espécie de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão próximos a tratativas sobre aeronaves e viagens entre Brasília e o Maranhão.
Mendonça autorizou a apreensão de dinheiro, joias, obras de arte, veículos e outros bens de alto valor quando houver indícios de ligação com os fatos investigados ou ausência de justificativa para a origem. O Ministério Público Federal havia se manifestado contra as buscas, por entender que quebras de sigilo seriam suficientes neste momento, mas o ministro considerou as diligências necessárias para preservar provas.
A defesa de Willer Tomaz afirmou que a busca ocorreu porque ele é proprietário de uma aeronave utilizada por Weverton em uma viagem particular. Também negou vínculo do advogado com o esquema de descontos previdenciários. O senador não havia se manifestado sobre a nova operação até a última atualização das fontes consultadas. As investigações continuam para identificar a origem dos recursos, a finalidade dos repasses e a eventual responsabilidade de cada envolvido.