Lula favorece empréstimo de US$ 1 Bi para Argentina não eleger candidato da direita

Javier Milei já criticou Lula como “socialista com vocação totalitária”

Por Plox

04/10/2023 10h06 - Atualizado há 8 meses

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

No final de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma solicitação urgente à ministra do Planejamento, Simone Tebet, sobre a autorização de uma operação para que o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) concedesse um empréstimo de US$1 bilhão à Argentina. A situação econômica da Argentina é crítica. O país enfrenta uma inflação de mais de 100% ao ano e buscava um empréstimo-ponte para liberar um desembolso do Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 7,5 bilhões. Publicação da Folha detalha articulação para barrar o crescimento e possibilidade de vitória do candidato de direita Javier Milei, político considerado pelo grupo de Lula como mais radical que Jair Bolsonaro. Milei, conhecido por suas posturas antiestablishment, defende propostas polêmicas, como a dolarização da Argentina, a saída do Mercosul, a extinção do Banco Central e a redução significativa do tamanho do Estado.

 

Com o Brasil possuindo a maior participação (37,3%) no CAF, Tebet tinha a responsabilidade de dar o aval para a operação, já que a Argentina havia esgotado seu limite de crédito. No entanto, com a intervenção de Lula, os países-membros do CAF, exceto o Peru, aprovaram a transferência de US$ 1 bilhão ao FMI em nome da Argentina, resultando na liberação do montante pelo FMI.

Com as eleições presidenciais argentinas se aproximando, há crescente preocupação dos integrantes do governo do presidente Lula sobre a possível vitória de Javier Milei, o que poderia repercutir no Brasil e favorecer o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Milei é amigo do deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro - Foto: redes sociais

Associados de Lula veem a potencial ascensão de Milei, que é amigo do deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, como alarmante para as relações bilaterais. Essa perspectiva se solidifica ainda mais com declarações de Milei, que já criticou parceiros comerciais importantes da Argentina, referindo-se a Lula como “socialista com vocação totalitária” e descrevendo a China de forma pejorativa.

Nesse contexto, esforços estão sendo feitos pelo governo Lula para apoiar o ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, candidato peronista e opositor de Milei. No entanto, as previsões para a eleição, que acontecerá no dia 22, indicam um possível segundo turno, levando Lula a adotar uma postura mais incisiva para evitar desdobramentos indesejáveis para ele e seu grupo no cenário político da América Latina.
 

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