‘Rei do pirarucu’ pesca peixe de 160 kg em rio do interior de SP
Pescador de Cardoso (SP) supera próprio recorde com pirarucu de 2,5 m no Rio Marinheiro, enquanto biólogos alertam para risco ambiental da espécie amazônica invasora
04/12/2025 às 09:09por Redação Plox
04/12/2025 às 09:09
— por Redação Plox
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Um pescador de 53 anos que vive em Cardoso (SP) bateu o próprio recorde ao capturar um pirarucu de aproximadamente 160 quilos e cerca de 2,5 metros de comprimento no Rio Marinheiro, em 28 de novembro. Moradores da cidade consideram o exemplar um dos maiores já vistos no município, e o registro ganhou destaque nas redes sociais.
Peixe de grande porte foi capturado em Cardoso (SP) e viralizou nas redes sociais, enquanto especialistas alertam que a espécie exótica representa risco ao ecossistema
Foto: Reprodução / Redes sociais.
Pescador há mais de 30 anos, Roberto do Carmo é conhecido na cidade como o “rei do pirarucu”. Acostumado a fisgar peixes de grande porte, ele já havia capturado recentemente um exemplar de 115 quilos. Em entrevista, contou que não se surpreendeu com o novo “monstro” de mais de dois metros, justamente pela experiência acumulada em pescarias semelhantes.
No dia do recorde, Roberto estava no Rio Marinheiro, próximo à ponte onde costuma pescar. Ele utilizava como isca um exemplar de porte médio da espécie Balistes capriscus, popularmente chamada de porquinho, e montou o equipamento com linha multifilamento 0.30 de oito fios, líder de monofilamento 0.60, boia de arremesso longo, vara de 2,40 metros e molinete tamanho 5 mil, combinação considerada fina para o porte do peixe.
Quando senti o tranco, foi rápido e violento. Eu estava sozinho e foi uma 'briga boa' que durou mais ou menos 45 minutos. Foi muita emoção, fiquei com medo de perdê-lo, mas, no final, deu certo
Roberto do Carmo
De acordo com o pescador, a época do ano costuma ser desfavorável para a captura de pirarucus na região noroeste paulista, já que os ventos fortes atrapalham a localização da espécie. Ainda assim, ele conseguiu superar a própria marca anterior.
Medição, peso e destino do peixe
Após tirar o peixe da água e levar o animal para casa, Roberto realizou a medição e a pesagem. A tarefa exigiu o esforço de três homens para colocar o pirarucu na balança, reforçando a dimensão impressionante do exemplar capturado.
O pescador afirma que a atividade é sua principal fonte de renda e motivo de satisfação. Segundo ele, toda a carne do pirarucu será comercializada, o que deve garantir um reforço importante para o orçamento familiar.
Espécie exótica e risco ao ecossistema local
Um especialista ouvido pela reportagem alerta que a presença do pirarucu em rios do interior de São Paulo preocupa biólogos e estudiosos do meio ambiente. Por ser uma espécie carnívora e oportunista, o peixe pode se alimentar de diferentes organismos e afetar diretamente o equilíbrio do ecossistema onde é introduzido.
Segundo o biólogo Thiago Davanso, doutor em zoologia, a ausência de predadores naturais e a vulnerabilidade da fauna local facilitam a ação do pirarucu sobre espécies nativas, ampliando o risco de extinção em nível local. Ele explica que, em média, o Arapaima gigas atinge de 1,8 a 2 metros de comprimento e pesa entre 90 e 100 quilos.
Na Amazônia, habitat natural do pirarucu, artigos científicos relatam registros máximos de aproximadamente 3 metros de comprimento e 200 quilos de peso. Assim, embora o exemplar capturado em Cardoso fosse considerado raro, mas possível, em rios amazônicos, sua presença no interior paulista é avaliada como alarmante do ponto de vista ecológico, por se tratar de uma espécie exótica na região.
Como o pirarucu chegou aos rios da região
Thiago aponta que a ocorrência do pirarucu em rios do noroeste paulista provavelmente está ligada a introduções acidentais ou intencionais, como o escape de peixes de pisciculturas ou episódios de negligência. Por ser um peixe apreciado e de alto valor comercial, muitos empreendimentos aquícolas investiram na criação da espécie.
Por se tratar de uma espécie invasora, a pesca do pirarucu é autorizada inclusive durante o período da Piracema, quando há restrições para a captura de espécies nativas em fase reprodutiva.
Mais capturas indicam presença consolidada
As capturas recentes realizadas por Roberto indicam que há mais pirarucus na região do que se imaginava inicialmente, reforçando o alerta de especialistas e órgãos ambientais.
Outro morador de Cardoso, o pescador Izael Moraes Junior, vizinho de Roberto, também fisgou um grande exemplar no Rio Marinheiro. Cerca de uma semana antes do recorde do “rei do pirarucu”, ele capturou um peixe de aproximadamente 92 quilos e mais de dois metros de comprimento.
Izael relata que pesca pirarucus há mais de sete anos e já capturou diversos exemplares da espécie. Para ele, a presença desse peixe amazônico no interior de São Paulo garante o sustento, já que trabalha com turismo de pesca voltado a espécies exóticas.