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Política
Seis países condenam ataque dos EUA à Venezuela e alertam para ameaça à paz regional
Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai criticam ofensiva comandada por Donald Trump, apontam violação da Carta da ONU e defendem saída pacífica para crise venezuelana
05/01/2026 às 08:49por Redação Plox
05/01/2026 às 08:49
— por Redação Plox
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Em comunicado conjunto divulgado neste domingo (4), Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai condenaram o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela e expressaram forte preocupação com as operações conduzidas pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Eles manifestaram, ainda, grande preocupação com as ações militares conduzidas pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Foto: Reprodução / Getty Images.
Na avaliação dos seis governos, a ofensiva norte-americana em território venezuelano representa um episódio de alta gravidade e exige reafirmar o compromisso com os princípios da Carta das Nações Unidas, considerada pelos países como expressão das aspirações da humanidade pela paz.
Condenação ao uso da força na Venezuela
O comunicado conjunto destaca que as ações militares unilaterais em solo venezuelano violam princípios básicos do direito internacional, em especial a proibição do uso ou da ameaça de força e o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, pilares consagrados na Carta da ONU.
Para os seis países, essas operações representam um precedente “extremamente perigoso” para a paz e a segurança regional, além de colocarem em risco direto a população civil da Venezuela.
Defesa de solução pacífica e diálogo interno
O comunicado ressalta que a crise venezuelana deve ser enfrentada exclusivamente por meios pacíficos, com base no diálogo, na negociação e no respeito à vontade do povo venezuelano, em todas as suas formas de manifestação e sem qualquer interferência externa.
Os signatários enfatizam que apenas um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos, pode levar a uma saída democrática e sustentável, que garanta a dignidade humana e preserve a América Latina e o Caribe como zona de paz, assentada no respeito mútuo, na solução pacífica de controvérsias e na não intervenção.
Apelo à unidade regional e à ONU
Ao final da carta, os seis países fazem um apelo à unidade regional acima das diferenças políticas, diante de qualquer iniciativa que ameace a estabilidade da América Latina e do Caribe.
Os governos solicitam ainda o engajamento do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e de Estados-membros de mecanismos multilaterais considerados relevantes, com o objetivo de reduzir tensões e preservar a paz na região.
O documento expressa preocupação com qualquer tentativa de controle governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos na região que contrarie o direito internacional e coloque em risco a estabilidade política, econômica e social latino-americana.
Ataque, captura de Maduro e repercussão
No sábado (3), uma série de explosões atingiu bairros de Caracas em meio ao ataque militar orquestrado pelos Estados Unidos. Durante a ofensiva, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.
A operação representa um novo capítulo na história de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão desse tipo havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando tropas norte-americanas capturaram o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico.
Acusações contra Maduro e interesses geopolíticos
Assim como no caso de Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de chefiar um suposto cartel de drogas venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas das alegações. Especialistas em tráfico internacional de drogas chegam a questionar a própria existência desse cartel.
Antes da captura, o governo Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro, reforçando a escalada de pressão contra o governo venezuelano.
Críticos da operação veem na ação militar um movimento geopolítico para afastar a Venezuela de aliados globais de Washington, como China e Rússia, ao mesmo tempo em que reforça o controle sobre o petróleo venezuelano, já que o país detém as maiores reservas comprovadas de óleo do planeta.