Política

Reunião extraordinária da Celac sobre crise na Venezuela termina sem consenso após operação dos EUA

Videoconferência de chanceleres latino-americanos não produz posição unificada sobre prisão de Nicolás Maduro em Caracas; Brasil e aliados manifestam preocupação com controle governamental, enquanto Lula critica uso da força e defende soberania venezuelana às vésperas de sessão da ONU

05/01/2026 às 07:27 por Redação Plox

BRASÍLIA - Uma reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino‑Americanos e Caribenhos (Celac), realizada neste domingo (4/1) por videoconferência em nível ministerial, terminou sem nota conjunta ou qualquer posicionamento oficial do bloco, expondo a ausência de consenso sobre a crise na Venezuela.

A Celac reúne 33 países da América Latina e do Caribe e foi criada em 2011 com o objetivo de promover a integração política, econômica e social da região e coordenar posições comuns em temas internacionais, sem a participação dos Estados Unidos e do Canadá.

Registro de uma sessão de Abertura da 9ª Reunião de Cúpula de Chefes de Estado da CELAC, realizada em abril de 2025

Registro de uma sessão de Abertura da 9ª Reunião de Cúpula de Chefes de Estado da CELAC, realizada em abril de 2025

Foto: Ricardo Stuckert/PR


Sem comunicado após operação dos EUA em Caracas

Convocado em meio à tensão gerada pelo ataque militar norte‑americano a Caracas, que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, o encontro contou com a presença de ministros das Relações Exteriores de diversos países latino‑americanos, entre eles o chanceler brasileiro Mauro Vieira.

Ao fim da reunião, não houve divulgação de comunicado nem previsão de que os países adotem uma posição conjunta sobre o episódio. A ausência de declaração reflete divergências entre os governos da região sobre como reagir à intervenção dos Estados Unidos e à crise no país vizinho.

Brasil reafirma crítica ao uso da força

Mais cedo, em outra frente diplomática, o Ministério das Relações Exteriores informou que países como Brasil, México, Chile, Colômbia e Uruguai manifestaram preocupação com as “tentativas de controle governamental” após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA.

No sábado (3/1), o Brasil, por meio de nota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reiterou sua postura crítica ao uso de força militar na região, defendendo o multilateralismo e o respeito à soberania da Venezuela. Essa linha foi mantida ao longo da reunião ministerial da Celac.

Pressão às vésperas de debate na ONU

A falta de entendimento no bloco ocorre às vésperas de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, prevista para esta segunda‑feira (5/1), na qual o Brasil deve apresentar sua posição sobre a situação venezuelana em nível global. Apesar das críticas à operação norte‑americana, Lula tem evitado menções diretas ao nome do republicano Donald Trump.

Região dividida sobre ação dos Estados Unidos

Neste fim de semana, os Estados Unidos realizaram uma operação militar inédita que levou à prisão de Nicolás Maduro e à sua transferência para Nova York. A iniciativa acentuou a divisão entre governos latino‑americanos.

Enquanto setores da região, como o governo do argentino Javier Milei, apoiam a ação por considerá‑la resposta às acusações de narcotráfico contra Maduro, outros, como o do colombiano Gustavo Petró, condenam o uso da força e defendem que a crise venezuelana seja enfrentada por meio do diálogo político.

O impasse evidenciado na Celac soma‑se a essa clivagem regional e reforça a percepção de que a definição de uma posição comum sobre a Venezuela permanece distante, mesmo diante da escalada da crise em Caracas e de seus reflexos nas fronteiras e nos recursos estratégicos dos países vizinhos.

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