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Desaparecimento no Pico do Paraná mobiliza grande operação e gera versões divergentes
Jovem de 19 anos está desaparecido desde a madrugada de Ano-Novo após trilha no ponto mais alto do Sul; buscas complexas envolvem bombeiros, montanhistas e helicópteros, enquanto Polícia Civil investiga sem indícios de crime
05/01/2026 às 08:32por Redação Plox
05/01/2026 às 08:32
— por Redação Plox
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O desaparecimento de Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, no Pico do Paraná, mobiliza autoridades, equipes de resgate e voluntários desde a madrugada de 1º de janeiro. O caso, marcado por versões divergentes sobre o que aconteceu na trilha e por ataques nas redes sociais, ganhou grande repercussão e segue cercado de dúvidas.
Roberto sumiu durante uma trilha no Pico do Paraná, no litoral do estado, ponto mais alto da região Sul do país, com 1.877 metros de altitude. Amigos e familiares o descrevem como um jovem ativo, sociável e acostumado a desafios físicos.
Versões divergentes sobre a trilha, ataques nas redes e buscas complexas marcam o caso do jovem de 19 anos desaparecido no Pico do Paraná.
Foto: Reprodução / Redes sociais.
Nas redes sociais, ele se apresentava como alguém “multifacetado”. Atuava como técnico de segurança do trabalho, bombeiro civil, socorrista resgatista e também se definia como consultor financeiro de investimentos. Estudante de administração na Universidade Federal do Paraná (UFPR), conciliava a graduação com o trabalho e com atividades práticas ligadas à área de segurança e resgate.
Encontro no Réveillon e início da trilha
No dia 31 de dezembro de 2025, Roberto se encontrou com Thayane Smith, também de 19 anos, em um terminal de ônibus de Curitiba (PR). Os dois haviam se conhecido há menos de um mês e decidiram passar o Réveillon no Parque Estadual Pico Paraná para assistir ao primeiro nascer do sol de 2026 no topo da montanha.
O grupo montou acampamento no ponto conhecido como A1. Segundo o relato inicial de Thayane, por volta das 3h do dia 1º, ela, Roberto e um terceiro trilheiro acordaram para seguir até o cume. A subida foi feita durante a madrugada, sem mochilas ou equipamentos pesados — prática considerada comum entre trilheiros experientes, segundo montanhistas.
Momento da separação e primeiras buscas
Na descida, Roberto teria passado mal e não conseguiu acompanhar o ritmo dos demais. Mesmo alertada para não deixá-lo sozinho, Thayane seguiu até o acampamento base. Outros trilheiros teriam retornado para tentar localizá-lo, mas não conseguiram encontrá-lo.
Desde então, a jovem passou a ser alvo de ataques e acusações nas redes sociais. Vídeos publicados por ela no Instagram antes do desaparecimento somam milhares de comentários, muitos deles ofensivos. Ela afirma ter registros de “todo o início, meio e fim” da trilha e diz que só pretende divulgar a versão completa após o encerramento do caso.
Montanhista apresenta nova versão sobre a trilha
O caso ganhou um novo capítulo com o relato do atleta e corredor de montanha Leandro Pierroti, que participou voluntariamente das buscas. Em vídeo, ele afirmou que a narrativa que circula nas redes simplifica o que ocorreu e pode atrapalhar as investigações.
De acordo com Pierroti, a separação entre Roberto e Thayane aconteceu durante a descida, em um trecho de pedras. Thayane teria seguido à frente com dois corredores de montanha, enquanto um terceiro ficou atrás de Roberto. Essa versão, segundo ele, foi confirmada pelos próprios atletas.
O corredor também contesta a informação de que Roberto estivesse passando mal. Pierroti relatou que, conforme ouviu dos montanhistas, o jovem estaria cansado, mas não apresentava vômitos ou um quadro considerado grave. Ele acrescentou que o celular de Roberto teria molhado durante a virada do ano e, por isso, foi deixado guardado na barraca no acampamento A1.
Investigação policial em andamento
A Polícia Civil do Paraná instaurou investigação formal no sábado (3/1), após a família registrar boletim de ocorrência. Até o momento, de acordo com a corporação, não há indícios de crime.
A jovem que acompanhava Roberto, montanhistas que tiveram contato com ele ao longo do percurso e familiares já foram ouvidos. As autoridades informam que as diferentes versões estão sendo cruzadas com os dados levantados pelas equipes de resgate que atuam na região desde o desaparecimento.
Buscas complexas e restrições no Parque Estadual
As buscas envolvem equipes do Corpo de Bombeiros, montanhistas experientes, voluntários e o uso de helicópteros, em razão da dificuldade de acesso, da vegetação fechada e das condições climáticas adversas da região.
A pedido dos bombeiros, o Instituto Água e Terra (IAT) determinou a restrição temporária de acesso a parte do Parque Estadual Pico Paraná. Desde sábado (3), estão fechadas as trilhas dos morros Caratuva, Pico Paraná, Getúlio e Itapiroca.
Segundo o IAT, a medida busca garantir a segurança dos visitantes e evitar qualquer interferência nas operações de resgate. A ação é considerada uma das mais complexas já realizadas no parque, devido à altitude, à extensão das trilhas, às variações bruscas de clima e à possibilidade de o jovem ter seguido por rotas alternativas durante a descida.
As buscas continuam sem prazo para encerramento, enquanto equipes e voluntários seguem concentrados na tentativa de localizar o jovem desaparecido.