Política

Israel acusa Maduro de lavar dinheiro e apoiar Hezbollah com respaldo do Irã

Após captura relâmpago de Nicolás Maduro pelos EUA em Caracas, governo israelense afirma que Venezuela integrou eixo de influência iraniano, serviu de base para operativos do Hezbollah e instalações ligadas à produção de armas

05/01/2026 às 15:50 por Redação Plox

O governo de Israel afirmou nesta segunda-feira (5) que o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos em uma operação relâmpago no último sábado (3), utilizou a Venezuela para lavar dinheiro do grupo terrorista libanês Hezbollah, com respaldo do Irã.

icolás Maduro

icolás Maduro

Foto: Gabinete de Imprensa da Presidência da Venezuela


Segundo o porta-voz do Executivo israelense, Maduro teria transformado o país em uma plataforma de apoio a redes terroristas, vinculando Caracas ao chamado “eixo do terror” liderado por Teerã.

Israel acusa Maduro de ligação com Hezbollah e Irã

Em coletiva de imprensa diária, a porta-voz do governo de Israel, Shosh Bedrosian, declarou que Maduro chefiou um regime de caráter terrorista, sustentado pelo Irã e envolvido em narcotráfico e lavagem de dinheiro para o Hezbollah. Para a representante israelense, a Venezuela passou a integrar o eixo de influência iraniano na região.

Bedrosian também reforçou o posicionamento do Ministério das Relações Exteriores de Israel, segundo o qual a Venezuela teria servido de base para operativos do Hezbollah e abrigado instalações destinadas à produção de armas de origem iraniana.

Netanyahu celebra alinhamento latino-americano com EUA

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já havia comemorado no domingo (4) o que descreveu como o retorno de “muitos países” da América Latina ao eixo de influência dos Estados Unidos, após a operação norte-americana que atingiu alvos estratégicos na Venezuela e resultou na captura de Maduro em Caracas.

Netanyahu felicitou o presidente americano, Donald Trump, pela ação, em linha com manifestações públicas do ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, que elogiou o líder norte-americano e expressou o desejo de que, com um eventual retorno da democracia à Venezuela, os dois países possam restabelecer relações amistosas.

Transição provisória e reação de Delcy Rodríguez

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela determinou que a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assuma o cargo de presidente interina após o sinal verde de Trump para que ela conduzisse temporariamente o país.

Em pronunciamento no sábado, depois da captura de Maduro, Rodríguez acusou os Estados Unidos de realizarem uma operação com objetivo único de promover mudança de regime e se apropriar dos recursos naturais venezuelanos, além de atribuir ao ataque norte-americano um “tom sionista”.

Ruptura com Israel e disputa de narrativas

A relação entre Caracas e Tel Aviv está rompida desde 2009, quando o então presidente Hugo Chávez decidiu cortar laços diplomáticos com Israel durante a “Operação Chumbo Fundido” na Faixa de Gaza. Desde então, a Venezuela tornou-se uma das críticas mais contundentes das políticas israelenses em relação aos palestinos.

Nesse contexto, a líder opositora venezuelana María Corina Machado tem se posicionado de maneira oposta à linha oficial chavista. À espera do desfecho político após a queda de Maduro, ela tem defendido publicamente a ofensiva israelense em Gaza e já manifestou intenção de instalar uma embaixada venezuelana em Jerusalém caso venha a assumir o poder.

As declarações cruzadas de autoridades israelenses e venezuelanas evidenciam a disputa geopolítica em torno da crise no país sul-americano, em meio à ofensiva dos Estados Unidos e às acusações de ligação de Caracas com o Hezbollah e o Irã.

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