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Política
Rompimento entre Lula e Maduro culmina em captura do presidente venezuelano por operação dos EUA
Após Lula se recusar a reconhecer o resultado das eleições na Venezuela e ver interlocutores ignorados por Caracas, operação militar dos EUA em Caracas prende Nicolás Maduro e Cilia Flores, leva casal a Nova York e abre disputa sobre soberania e transição política
05/01/2026 às 10:34por Redação Plox
05/01/2026 às 10:34
— por Redação Plox
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A relação diplomática entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o líder venezuelano Nicolás Maduro vinha se deteriorando nos últimos meses e já era considerada ruim por integrantes do governo brasileiro. Preso pelos Estados Unidos no sábado (3), Maduro, segundo fontes ouvidas pela Itatiaia, havia deixado de atender as ligações de Lula há algum tempo.
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Nicolás Maduro (Venezuela)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Bras
Lula não reconheceu eleições venezuelanas de 2024
O desgaste se agravou depois de Lula não reconhecer o resultado das eleições presidenciais realizadas na Venezuela em 2024, que Maduro afirmou ter vencido. A partir desse episódio, o chavista interrompeu o contato telefônico com o brasileiro, relatam interlocutores.
Até então, Lula mantinha diálogo frequente com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que atuava como principal ponte entre os dois governos. Nos últimos meses, porém, ela também deixou de atender as tentativas de contato de autoridades brasileiras.
Tentativa de mediação com Trump esbarra em tensão bilateral
O governo brasileiro chegou a oferecer ajuda ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para atuar na interlocução com a Venezuela. A ideia, no entanto, não avançou diante do forte desgaste entre Washington e Caracas, que bloqueou qualquer possibilidade de negociação mais ampla. Mesmo assim, o Brasil tenta agora restabelecer canais de diálogo com o governo venezuelano.
Petróleo está no centro da crise entre EUA e Venezuela
No pano de fundo da tensão entre Venezuela e Estados Unidos está o interesse norte-americano no petróleo venezuelano. Apesar disso, o governo Lula afirma que não pretende se envolver diretamente no conflito e pretende manter posição de neutralidade.
Até o momento, a única manifestação oficial do Brasil sobre os ataques em Caracas foi em defesa da soberania nacional, discurso que Lula vem repetindo em declarações públicas recentes. A orientação interna é que o governo brasileiro não vá além dessa linha.
Como foi a ação dos EUA para capturar Maduro
A operação norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, teve início na madrugada em Caracas. Por volta de 2h50, moradores da capital venezuelana relataram tremores e o sobrevoo de aeronaves militares. Em cerca de 30 minutos, ao menos sete explosões foram ouvidas. De acordo com informações obtidas pelo jornal The New York Times, a ofensiva inicial deixou pelo menos 40 mortos.
Por volta das 3h, tropas de elite da Força Delta invadiram o complexo onde estavam Maduro e Cilia Flores. A ação contou com apoio de inteligência da CIA, que monitorava o cotidiano do líder venezuelano desde agosto. Às 3h20, o casal foi retirado de helicóptero e levado ao navio militar USS Iwo Jima, posicionado no Mar do Caribe.
Anúncios de Trump e reação de Caracas
Às 6h21, Donald Trump usou sua rede Truth Social para anunciar oficialmente a captura de Maduro e o sucesso da operação militar. Minutos depois, às 6h40, a TV estatal venezuelana classificou a ação como sequestro e como uma violação da soberania do país e da Carta das Nações Unidas, além de acusar os Estados Unidos de tentarem confiscar recursos minerais e o petróleo venezuelano.
Às 13h23, Trump divulgou a primeira foto de Maduro sob custódia, na qual o venezuelano aparece algemado, com os olhos vendados e usando fones de ouvido. Pouco depois, às 13h40, em coletiva em Mar-a-Lago, o ex-presidente afirmou que os EUA passariam a governar a Venezuela para garantir uma “transição sensata” e descartou apoiar a opositora María Corina Machado, alegando que ela não teria força política para assumir o comando do país sozinha.
Transição em Caracas e transferência para os EUA
Às 15h, em Caracas, a vice-presidente Delcy Rodríguez rejeitou a autoridade americana e convocou um conselho especial de defesa. No entanto, a Suprema Corte da Venezuela determinou que Delcy assumisse a presidência interina para assegurar a continuidade administrativa do Estado.
Já às 18h40, a aeronave militar que transportava Maduro pousou na Base Aérea de Stewart, em Nova York. Ele foi visto algemado, vestindo roupas cinzas, e escoltado por mais de uma dezena de agentes federais da DEA. Em seguida, passou pelo processo de fichamento, com coleta de digitais e registro fotográfico.
Maduro segue sob custódia em Nova York
Por volta das 23h, Maduro foi transferido para o Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, mesma unidade onde estão detidos outros nomes de destaque internacional. Ele deve comparecer a um tribunal federal em Manhattan nesta semana, para responder a acusações de tráfico internacional de drogas e posse ilegal de armas de fogo.
Fontes militares ouvidas pela CNN informaram que nenhum soldado americano morreu durante a operação, embora alguns militares tenham sofrido ferimentos por estilhaços no confronto em solo venezuelano.