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Seis meses após espancamento do ex, médica retoma rotina e faz alerta sobre violência
Samira Mendes Khouri, de 27 anos, agredida brutalmente pelo ex-namorado fisiculturista em São Paulo, volta aos plantões enquanto enfrenta sequelas físicas e emocionais e alerta para sinais de relacionamentos abusivos
05/01/2026 às 08:45por Redação Plox
05/01/2026 às 08:45
— por Redação Plox
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Quase seis meses após ser brutalmente agredida pelo ex-namorado, a médica Samira Mendes Khouri, de 27 anos, começa a retomar a rotina profissional e já voltou aos plantões e consultas online. Ela foi espancada na madrugada de seu aniversário, em 14 de julho, em São Paulo, pelo ex-companheiro Pedro Camilo Garcia, fisiculturista que permanece preso.
Em menos de seis minutos, Samira levou mais de dez socos, o que resultou em múltiplas fraturas na face, incluindo ossos do nariz, maxilar e arco zigomático esquerdo, região localizada abaixo do olho. Enquanto o corpo ainda se recupera, ela enfrenta diariamente o desafio de lidar com o trauma psicológico e reorganizar a vida.
A jovem relata que o processo de reconstrução é gradual e exige força emocional. Cada dia é encarado como uma nova etapa de superação e de tentativa de deixar para trás a violência sofrida.
Samira voltou a trabalhar após cinco meses das agressões cometidas pelo ex-namorado
Foto: Reprodução/TV Tribuna
O apoio da família e das amigas tem sido fundamental para que ela se sinta segura para voltar ao trabalho e retomar o contato com pacientes, ainda que à distância. A mãe interrompeu a rotina para acompanhá-la em fisioterapias e tratamentos, e amigas se revezaram em visitas e suporte emocional.
Neste início de ano, Samira projeta um futuro no qual se veja renovada, mais atenta a sinais de alerta em relacionamentos e livre de traumas que marcaram 2024. O objetivo, diz ela, é reconstruir a própria história e seguir a carreira na medicina com mais segurança e autonomia.
Mensagem de alerta e incentivo a denúncias
Ao falar sobre o que viveu, a médica entende que sua experiência pode servir de alerta para outras mulheres. Ela destaca a importância de reconhecer sinais de relacionamentos abusivos e de buscar ajuda antes que a violência física aconteça.
Samira direciona parte de seu relato a quem sofre violência verbal ou psicológica de forma constante, mas não enxerga isso como um problema grave. Ela reforça que comportamentos como ciúme excessivo e explosões de raiva podem ser indicativos de um ciclo de agressões mais severas.
Para as mulheres que já enfrentam violência física, a médica defende a busca imediata por ajuda, especialmente junto à polícia e à família. Romper o ciclo de um relacionamento abusivo, afirma, depende tanto de apoio externo quanto da decisão de não aceitar mais agressões.
Samira voltou a trabalhar após cinco meses das agressões cometidas pelo ex-namorado
Foto: Reprodução/TV Tribuna
Discussão por ciúmes e espancamento no apartamento
O caso que levou Samira ao hospital começou, segundo o relato dela, quando Pedro chegou nervoso ao apartamento após ter sido expulso de uma balada LGBTQIA+. Ele teria se envolvido em uma confusão ao sentir ciúmes de um homem que, de acordo com a médica, era homossexual.
Já dentro do imóvel, conforme o depoimento, o ex-namorado desferiu o primeiro soco, derrubando Samira no chão. A partir daí, ela diz ter sido espancada mesmo depois de perder os sentidos. Em determinado momento, retomou a consciência e percebeu que as agressões continuavam.
Com medo de ser morta, a médica decidiu fingir estar desmaiada. Ela avaliou que, se já estava sendo atacada daquela forma enquanto ele acreditava que ela estava inconsciente, a violência poderia aumentar ainda mais se o agressor percebesse que ela havia acordado.
As agressões teriam durado cerca de seis minutos. Samira lembra de ter levado mais de dez socos após recobrar a consciência. Em seguida, Pedro fugiu do local levando o celular e o carro da vítima. Ela acredita que a atitude teve como objetivo dificultar que fosse socorrida rapidamente.
Fratura na mão do agressor e laudo médico
A intensidade dos golpes também deixou marcas em Pedro. De acordo com informações do caso, ele fraturou o metacarpo da mão direita, osso ligado ao dedo anelar, devido à força dos socos contra o rosto da médica.
Imagens de monitoramento do prédio em que Samira foi agredida mostram o fisiculturista deixando o apartamento enquanto mexia na mão lesionada. A fratura foi confirmada por exame de raio-x após a prisão.
Fisiculturista foi preso após quebrar a mão espancando namorada médica, no bairro Moema, em São Paulo