Economia

Fecomércio MG aponta estabilidade nas vendas de Natal em Minas Gerais em 2025

Levantamento mostra que maioria das empresas mineiras manteve ou superou desempenho de 2024, em cenário de cautela, forte dependência de crédito e concentração de compras após pagamento do 13º salário.

05/01/2026 às 12:04 por Redação Plox

Todos os segmentos do comércio varejista de Minas Gerais encerraram o Natal de 2025 com desempenho estável e sinais de adaptação ao cenário econômico. De acordo com o Monitor de Vendas do Natal, realizado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, 43,4% das empresas tiveram suas expectativas de vendas alcançadas ou superadas, enquanto 42,8% registraram resultado semelhante ao de 2024.

Fwd: Fecomércio MG indica estabilidade nas vendas de Natal em Minas Gerais diante da cautela do consumidor

Foto: Divulgação

Entre os empresários que relataram crescimento, os aumentos se concentraram principalmente na faixa de 10% a 20%. Já entre aqueles que observaram queda nas vendas, as retrações ficaram, em sua maioria, entre 10% e 25%. O baixo fluxo de consumidores e o endividamento das famílias foram os fatores mais citados para os resultados negativos.

Cautela do consumidor e peso do crédito

Segundo a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, o Natal de 2025 foi marcado por cautela tanto por parte dos consumidores quanto das empresas. Para ela, o comércio conseguiu manter estabilidade mesmo diante de um público mais retraído, em um contexto no qual o crédito e o 13º salário tiveram papel decisivo, ao concentrarem as compras na reta final do mês.

O levantamento mostra que 58,3% das compras foram realizadas às vésperas do Natal, após o pagamento da segunda parcela do 13º salário. O cartão de crédito parcelado foi o meio de pagamento mais utilizado, presente em 36,5% das transações, evidenciando a estratégia dos consumidores de diluir os gastos ao longo dos meses.

O ticket médio das compras de Natal ficou em R$ 200,31, com maior concentração de valores entre R$ 100 e R$ 200. A economista ressalta que as estratégias adotadas pelas empresas foram determinantes para o desempenho, com ações dentro das lojas, promoções direcionadas e maior visibilidade para atrair um consumidor mais atento a preços e condições de pagamento.

Varejo online cresce, mas ainda tem participação limitada

As vendas online estiveram presentes em 25% das empresas que participaram do estudo. Entre essas, 37,8% relataram desempenho melhor que em 2024. Mesmo assim, o canal digital ainda representa uma fatia limitada do faturamento no período natalino, geralmente de até 20%.

Para atender à demanda sazonal, 15% das empresas contrataram funcionários temporários, reforçando o papel do Natal como gerador de postos de trabalho pontuais no comércio.

Impacto do Natal no consumo das famílias

Os resultados do levantamento indicam que o período natalino continua essencial para o varejo mineiro, estimulando o consumo das famílias em todo o estado, mesmo em um ambiente de incertezas econômicas. Segundo o Índice de Consumo das Famílias (ICF), houve aumento do consumo em dezembro em Belo Horizonte, o que evidencia o papel decisivo do Natal na sustentação da demanda local.

Esse movimento observado na capital se refletiu pelo estado, favorecendo o consumo de curto prazo, especialmente em gastos típicos de fim de ano. No entanto, fatores estruturais como juros elevados, inflação acumulada e renda pressionada ainda limitam o acesso a compras de maior valor, tornando o consumidor mineiro mais cauteloso.

Mesmo com restrições, o cartão de crédito se consolidou como principal meio de pagamento, o que reforça a importância do crédito para viabilizar as compras. Somado a isso, a força afetiva da data e as estratégias comerciais contribuíram para que 43,4% dos entrevistados alcançassem ou superassem suas expectativas de vendas, movimentando de forma significativa a economia do varejo em Minas Gerais.

Perspectivas para o varejo em 2026

Ao analisar os próximos meses, Fernanda Gonçalves avalia que o desempenho do Natal oferece sinais relevantes para o varejo. Para ela, os resultados indicam que o setor permanece fortemente dependente da renda e do crédito, o que exige atenção redobrada à gestão dos negócios.

Nesse contexto, a economista destaca que planejamento financeiro, gestão eficiente de estoques e integração entre canais de venda tendem a ser decisivos para que as empresas consigam enfrentar os desafios de 2026 e manter níveis sustentáveis de faturamento.

Fecomércio MG: representação e fortalecimento do setor

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor no estado, abrangendo mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções por meio do diálogo com o poder público e a sociedade.

Entre suas atribuições está a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a oferta de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, por meio de diversas unidades distribuídas pelo estado.

Desde 2022, a Federação tem ampliado sua presença na agenda pública, promovendo debates sobre a importância do comércio de bens, serviços e turismo para o desenvolvimento econômico mineiro. Em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, a Fecomércio MG atua na defesa dos interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal.

A entidade busca melhores condições tributárias para as empresas, negocia convenções coletivas de trabalho e oferece benefícios voltados ao fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG se consolidou como agente fundamental para impulsionar a economia mineira e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população.

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