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Política
Plano de Nunes para disputar governo de SP em 2026 perde força com avanço de Flávio Bolsonaro
Endosso de Jair Bolsonaro à pré-candidatura do filho à Presidência reduz espaço para Tarcísio de Freitas deixar o governo paulista, enquanto desgaste do vice Mello Araújo aumenta resistência à renúncia de Ricardo Nunes
05/01/2026 às 08:25por Redação Plox
05/01/2026 às 08:25
— por Redação Plox
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Após ser ventilado como um dos principais nomes para disputar o governo de São Paulo, o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), viu seus planos perderem fôlego. A movimentação do senador Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato à Presidência da República e o aumento da rejeição ao seu vice, coronel Mello Araújo (PL), no meio político, esfriaram a perspectiva de uma candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.
Os articuladores de Nunes contavam com a possibilidade de o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) deixar o cargo para concorrer ao Planalto, abrindo espaço para o prefeito tentar o governo estadual. Esse cenário, porém, foi praticamente bloqueado após Jair Bolsonaro (PL) endossar o nome do filho para a disputa presidencial, reduzindo a chance de Tarcísio ser o escolhido da direita nacional.
Ao mesmo tempo, a figura de Mello Araújo passou a ser vista como um entrave dentro da própria base de Nunes. Considerado radical demais por setores políticos para assumir a prefeitura, o vice intensificou desgastes ao adotar uma postura de confronto, inclusive com aliados centrais do prefeito no cenário estadual.
Nunes viu a possibilidade de disputar o governo perder força com possível candidatura à reeleição de Tarcísio e ações de Mello Araújo.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
Nunes empolgado, depois em retração
Em outubro, o clima era outro. Segundo aliados, Nunes se mostrava animado com a possibilidade de chegar ao governo paulista. Ele foi homenageado em sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ocasião em que foi citado por políticos como possível sucessor de Tarcísio de Freitas.
Na mesma cerimônia, o próprio prefeito sinalizou disposição para encarar voos mais altos, em meio às especulações sobre 2026.
Muita gente aqui falou um pouco do futuro. Eu, sinceramente, desejo concluir o mandato, mas se algum desafio vier pela frente, eu vou estar sempre às ordens para poder trabalhar pela nossa cidade, pelo nosso estado
Ricardo Nunes
Meses depois, contudo, o tabuleiro político mudou. A consolidação de Flávio Bolsonaro como pré-candidato ao Planalto e a resistência a Mello Araújo dentro da base alinhada ao bolsonarismo dificultaram o projeto de Nunes de deixar a prefeitura para disputar o governo paulista.
Vice vira foco de desgaste
Desde o início do mandato, Mello Araújo se transformou em fonte constante de tensão para o prefeito. A simples possibilidade de o vice assumir o comando da cidade, em caso de renúncia de Nunes para disputar outro cargo, passou a assustar aliados do emedebista.
No exercício da vice-prefeitura, Mello Araújo adotou uma atuação mais incisiva sobre a máquina municipal. Ele passou a fiscalizar contratos e a analisar a destinação de emendas parlamentares apresentadas por vereadores. Quando assumiu a prefeitura durante viagem internacional de Nunes, barrou emendas de um vereador da própria base e exonerou servidores sem comunicar previamente o titular, o que gerou incômodo no entorno do prefeito.
O vice também entrou em rota de colisão com Tarcísio de Freitas. O governador tem buscado capitalizar politicamente ações ligadas ao enfrentamento à Cracolândia, enquanto Mello Araújo, que atua diretamente na abordagem de dependentes químicos no centro da cidade, se sentiu preterido após não ser citado em uma reportagem da TV Record sobre o tema.
Embora ainda haja diferentes pontos de concentração de usuários de drogas no centro e em outras regiões da capital, Tarcísio tem afirmado que a Cracolândia acabou. Mello Araújo, por sua vez, classificou como “grande enganação” o discurso de que a desocupação da favela do Moinho representou um “golpe fatal” na desmobilização do chamado fluxo.
As críticas públicas ao governador, considerado principal aliado político de Nunes no estado, foram mal recebidas tanto no Palácio dos Bandeirantes quanto na própria prefeitura, aumentando o desconforto em torno do vice.
Isolado, Mello mira o Senado
Ciente da rejeição ao seu nome entre lideranças locais, Mello Araújo admite ter dificuldade de se viabilizar como eventual prefeito. Ele chegou a dizer que está pronto para disputar uma vaga no Senado em 2026, caso seja convocado por Jair Bolsonaro, de quem é próximo. Em declaração, desabafou que “ninguém me quer na prefeitura”, reforçando a percepção de isolamento político.
Flávio na disputa muda o tabuleiro
Mesmo com o peso negativo do vice, aliados de Nunes alimentaram expectativas até novembro. A agenda da segurança pública havia projetado Tarcísio nacionalmente, especialmente após a megaoperação policial no Rio de Janeiro que deixou mais de cem mortos e reacendeu o discurso de endurecimento na área, fortalecendo setores da direita contrários ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nesse contexto, Tarcísio passou a ser visto como principal aposta de grupos econômicos e do Centrão para enfrentar Lula em 2026. A entrada de Flávio Bolsonaro no cenário presidencial, porém, redesenhou os planos. O movimento do ex-presidente Jair Bolsonaro em favor do filho contrariou parte dessas articulações e surpreendeu o próprio governador paulista.
Se a chance de Nunes renunciar para disputar o governo já vinha sendo corroída pela atuação de Mello Araújo, ela se tornou ainda mais remota com o lançamento do nome de Flávio à Presidência, que tende a manter Tarcísio focado na reeleição em São Paulo.
Nos bastidores do governo estadual, contudo, auxiliares ainda tratam Tarcísio como uma espécie de “plano B” caso a candidatura de Flávio não ganhe tração. A avaliação é que o senador ainda não foi alvo de ataques mais duros dos adversários e que sua capacidade de enfrentar um ambiente de maior desgaste eleitoral permanece incerta.
Disputa pelo governo teria outros nomes
Ainda que houvesse uma reviravolta e Tarcísio decidisse disputar o Planalto, abrindo mão da reeleição, Nunes não teria caminho livre entre os aliados do governador. O secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), intensificou movimentações recentes para se colocar como potencial candidato ao governo em 2026, em um cenário condicionado à saída de Tarcísio para a corrida presidencial.
Outros nomes também aparecem no radar como possíveis candidatos ao governo paulista: o vice-governador Felício Ramuth (PSD), o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), e o ex-secretário estadual e atual deputado federal Guilherme Derrite (PP). A presença desse grupo reforça o caráter competitivo da sucessão, mesmo dentro do campo aliado a Tarcísio.
Nunes indica que fica até 2028
Diante de tantos obstáculos, Nunes mudou o tom no fim de novembro. Em declarações públicas, afirmou de maneira mais categórica que não pretende concorrer nas próximas eleições e que pretende cumprir o mandato na prefeitura até 2028, afastando, ao menos por ora, a hipótese de renúncia para disputar o governo estadual.
O prefeito sinalizou que deve concentrar esforços na campanha de Tarcísio, seja para a reeleição ao governo paulista ou em eventual candidatura presidencial. Ele também mencionou o vice-governador Felício Ramuth como “tendência natural” a disputar o governo do estado, caso Tarcísio entre, de fato, na corrida ao Planalto.