CLP estima que fim da escala 6×1 pode cortar mais de 600 mil empregos formais no Brasil
Nota técnica aponta impacto maior em comércio, agropecuária e construção, além de queda na produtividade e na produção do setor formal
05/02/2026 às 13:11por Redação Plox
05/02/2026 às 13:11
— por Redação Plox
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Mais de 600 mil empregos formais podem ser extintos no país caso seja encerrada a escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e folga um dia por semana. A mudança também traria uma queda expressiva na produção e impactos relevantes sobre o crescimento econômico, segundo avaliação do Centro de Liderança Pública (CLP).
Erika Hilton é autora de uma das PECs que alteram as relações trabalhistas
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Setores mais afetados pela mudança na jornada
A projeção integra uma nota técnica do CLP sobre os efeitos da redução da jornada de trabalho no Brasil. De acordo com o estudo, comércio, agropecuária e construção estão entre os segmentos que sentiriam com mais força as consequências da medida caso ela seja aprovada pelo Congresso Nacional.
No comércio, a produtividade do trabalhador teria redução de 1,3%, ao mesmo tempo em que o emprego formal encolheria 1,6%. Na prática, isso significaria o fechamento de 164,1 mil postos de trabalho com carteira assinada.
Na agropecuária, o cenário projetado é semelhante: queda de 1,3% na produtividade, acompanhada de retração de 1,6% no emprego formal, o que corresponde a 28,4 mil vagas a menos.
Na construção, o CLP calcula também recuo de 1,3% na produtividade e de 1,6% no emprego formal, resultando na eliminação de 45,7 mil empregos no setor.
Somando esses e outros ramos da economia, as projeções apontam para a supressão de mais de 600 mil empregos formais em todo o país, de acordo com o levantamento.
Impacto na produção, no PIB e no custo do trabalho
Segundo o CLP, a redução da jornada poderia levar a uma diminuição de até 2% na produção do setor formal, quando considerados tanto o corte nas horas trabalhadas quanto a perda de postos de trabalho.
O efeito sobre o Produto Interno Bruto (PIB) seria de aproximadamente 0,7%, o que representa algo em torno de R$ 88 bilhões a menos na atividade econômica, em um impacto classificado pelo estudo como macroeconômico, expressivo e de longo prazo.
A nota técnica destaca ainda que, se o fim da escala 6×1 ocorrer sem redução proporcional do salário mensal, o custo da hora trabalhada sobe automaticamente. Para parte das empresas, esse aumento poderia ser compensado por reorganização interna, redução de desperdícios e adoção de novas tecnologias. Para outras, porém, o resultado pode ser compressão de margens, repasse de custos a preços ou redução da escala de operação.
Experiência internacional usada como referência
O estudo também recorre à experiência de Portugal, que reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas. Lá, a mudança veio acompanhada de aumento de 9,2% no salário-hora, ao mesmo tempo em que houve queda de cerca de 1,7% no emprego e retração de 3,2% nas vendas.
No caso português, a redução nas horas totais trabalhadas alcançou 10,9%, de acordo com os dados compilados pelo CLP, o que é usado pelo centro como referência para estimar possíveis efeitos de uma alteração semelhante no Brasil.