Kyra Gracie denuncia assédio no jiu-jítsu e diz que cultura é “enraizada” no esporte
Em vídeo no YouTube, atleta relata episódios que afirma ter presenciado, cita um caso aos 18 ou 19 anos e afirma que romper o silêncio foi libertador
05/02/2026 às 09:33por Redação Plox
05/02/2026 às 09:33
— por Redação Plox
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Em um vídeo publicado no YouTube com o título “Assédio no jiu-jítsu: o que sempre soubemos e ninguém combateu”, Kyra Gracie, um dos maiores nomes da modalidade, tornou públicos episódios de assédio que presenciou ao longo de sua trajetória no esporte. A gravação tem 8 minutos e 37 segundos.
Pentacampeã mundial de jiu-jitsu, Kyra Gracie afirma que quebrar o silêncio sobre episódios de assédio no esporte foi libertador para ela
Foto: Reprodução/YouTube
A lutadora relata que decidir romper o silêncio foi uma experiência libertadora e afirma acreditar que, se não fizesse parte da tradicional família Gracie, poderia ter sido alvo de abusos em ainda mais ocasiões.
Ao contar um dos episódios, Kyra relembra o comportamento de um homem mais velho que se aproximou sob o pretexto de patrocínio e fez comentários de cunho sexual quando ela tinha cerca de 18 ou 19 anos. Ela relata que ficou paralisada diante da situação e que passou a se esconder em eventos para evitá-lo, guardando a história por anos em razão de um ambiente que, segundo ela, silencia as mulheres.
Pentacampeã mundial com kimono e também tricampeã sem kimono, Kyra frisou que os casos de assédio não são isolados, mas parte de uma cultura enraizada no jiu-jítsu. Segundo a atleta, foram “centenas de casos” testemunhados ao longo do tempo, acompanhados do medo de falar publicamente sobre o tema.
Ela reconhece que pode ser criticada por só se manifestar agora, mas sustenta que o silêncio acaba protegendo os agressores em um contexto em que novas denúncias de assédio contra professores e figuras renomadas da luta seguem surgindo.
Acusações contra André Galvão impulsionam debate
André Galvão acusado de assédio
Foto: Reprodução
O desabafo de Kyra foi divulgado logo após vir a público a acusação de assédio sexual contra André Galvão, outro nome de destaque do jiu-jítsu. Ele foi apontado por uma aluna da academia Atos, em San Diego, nos Estados Unidos, por supostamente tê-la tocado de maneira inapropriada durante treinos.
A jovem, identificada como Alexa Herse, de 18 anos, também afirmou que o líder da equipe fazia comentários frequentes sobre o corpo dela. O caso foi levado à polícia por meio de registro de queixa.
Nas redes sociais, André Galvão respondeu às acusações, classificando-as como falsas e afirmando que buscará a Justiça para, segundo ele, “proteger a integridade da Atos”.