Liga-SP define regras para escolher jurados do Carnaval 2026 e evitar conflitos de interesse
Edital prevê seleção com análise curricular, questionário eliminatório, pesquisa social e treinamentos, além de impedimentos por vínculos com escolas filiadas
05/02/2026 às 12:07por Redação Plox
05/02/2026 às 12:07
— por Redação Plox
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Parentes de dirigentes, ex-integrantes de escolas de samba e até pessoas com laços de amizade ou de inimizade com membros das agremiações estão fora da disputa por uma vaga na comissão julgadora do carnaval de São Paulo.
Sambódromo do Anhembi visto de cima
Foto: Reprodução/TV Globo
As regras que definem quem pode ou não avaliar os desfiles na capital paulista foram estabelecidas para evitar conflitos de interesse e garantir a imparcialidade no julgamento das escolas. Os critérios constam no edital da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP).
A comissão é formada por 45 jurados, responsáveis por analisar nove quesitos ao longo dos desfiles. Os nomes só são divulgados na véspera das apresentações no Sambódromo. Antes disso, os candidatos passam por um processo seletivo extenso, que inclui análise curricular, questionário eliminatório, pesquisa social, além de treinamentos e avaliações de desempenho.
Segundo a Liga, todo esse percurso busca blindar o resultado final e reduzir ao máximo qualquer tipo de influência externa na hora de atribuir as notas.
Como funciona a seleção dos jurados
O edital da Liga-SP prevê um processo de seleção estruturado. Para o carnaval de 2026, as inscrições foram abertas em 6 de maio de 2025 e seguiram até as 23h59 de 31 de maio de 2025, por meio de chamamento público.
Depois da inscrição, os candidatos enfrentam várias etapas eliminatórias e classificatórias, entre elas:
– Análise curricular, para verificar se atendem aos requisitos mínimos exigidos;
– Preenchimento obrigatório de um questionário com nove perguntas, de caráter eliminatório;
– Pesquisa social, voltada à identificação de vínculos com entidades carnavalescas;
– Treinamentos online e presenciais, com carga horária estimada em até 36 horas;
– Avaliações de desempenho, que consideram assiduidade, postura, aproveitamento, pontuação e frequência.
A escolha final dos jurados é de responsabilidade do Conselho Diretor da Liga-SP, que pode desclassificar candidatos em qualquer fase do processo, conforme previsto no edital.
Questionário para detectar conflitos de interesse
Uma das ferramentas centrais da seleção é o questionário com nove perguntas, obrigatório para todos os inscritos. O objetivo é mapear possíveis conflitos de interesse e relações com o universo das escolas de samba.
Entre os pontos abordados, estão:
– Se o candidato já desfilou em alguma escola de samba de São Paulo ou do Rio de Janeiro, seja como integrante de ala ou ocupando cargo de direção;
– Se segue, nas redes sociais, integrantes, simpatizantes, diretores ou presidentes de escolas e qual o tipo de relação com essas pessoas;
– Se já atuou como jurado no carnaval de São Paulo, do Rio ou de outras cidades;
– Se costuma participar de ensaios de entidades carnavalescas e com que frequência;
– Se participa ou colaborou recentemente, de forma direta ou indireta, com alguma entidade carnavalesca, em qualquer função;
– Se prestou serviços profissionais ou voluntários, diretos ou indiretos, para alguma escola de samba nos últimos cinco anos;
– Se possui parentes, amigos próximos ou cônjuge que façam parte de entidades carnavalescas;
– Se mantém contato frequente com membros de diretoria ou de comissão julgadora de alguma entidade carnavalesca;
– Se acompanha, divulga ou participa ativamente de conteúdos relacionados a escolas de samba nas redes sociais.
Com essas respostas, a Liga busca rastrear vínculos afetivos, profissionais e de convivência que possam interferir na neutralidade do julgamento.
Requisitos básicos para se candidatar
Para participar da seleção, o edital exige que os candidatos:
– Tenham, no mínimo, 18 anos;
– Possuam residência fixa no estado de São Paulo;
– Comprovem conhecimento técnico no quesito para o qual se candidatam;
– Tenham disponibilidade de até 36 horas para participar de todos os treinamentos obrigatórios.
Os jurados recebem um cachê pelo serviço prestado durante o período do carnaval. O valor é definido e comunicado após o término do processo seletivo.
Quem está impedido de ser jurado
O edital da Liga-SP estabelece uma lista de impedimentos para a participação no processo de seleção da comissão julgadora do carnaval paulistano.
Não podem se inscrever ou integrar a banca:
– Membros da Comissão de Avaliação e Seleção, assim como seus cônjuges, ascendentes e descendentes até o segundo grau;
– Pessoas com parentesco até o terceiro grau com dirigentes, diretores, chefes de alas ou qualquer outro integrante de entidades carnavalescas vinculadas à Liga-SP, incluindo funcionários dessas entidades;
– Pessoas com vínculos atuais ou passados com escolas de samba filiadas à Liga-SP, o que engloba relações de amizade ou inimizade, relações profissionais, ex-desfilantes, componentes de ala, destaques ou integrantes de quesitos.
Essas restrições são checadas principalmente na etapa de pesquisa social, que verifica possíveis conexões dos candidatos com as agremiações.
Por que tantas restrições
De acordo com a Liga-SP, os jurados são responsáveis diretos pelo resultado da competição. Por isso, a atuação precisa ser isenta, técnica e longe de qualquer influência pessoal.
O edital reforça que qualquer relação pessoal, profissional ou afetiva com escolas de samba pode colocar em dúvida a lisura do julgamento. Entre os deveres estabelecidos para os avaliadores, estão:
– Julgar de forma justa e imparcial, sem favoritismos;
– Manter sigilo absoluto sobre notas e justificativas até a divulgação oficial;
– Basear as avaliações em critérios técnicos e objetivos;
– Seguir rigorosamente as regras definidas pela entidade organizadora.
Obrigações durante o carnaval
Todos os jurados devem participar de todos os treinamentos e reuniões preparatórias promovidas pela Liga-SP, para garantir alinhamento com o manual do julgador e com os critérios de avaliação.
Entre as obrigações descritas no edital, estão:
– Preencher as cédulas de forma clara e detalhada, com justificativas para cada nota;
– Assistir a todos os desfiles, do início ao fim, garantindo uma análise completa;
– Explicar de maneira objetiva e detalhada as notas atribuídas, para que as escolas possam entender os motivos das avaliações;
– Observar integralmente as regras e orientações da entidade organizadora, evitando infrações ou condutas inadequadas;
– Manter-se atualizados sobre mudanças e inovações nos critérios, em consonância com o manual do julgador.
Em algumas ocasiões, candidatos a jurados participam de treinamentos práticos na Fábrica do Samba e no Sambódromo do Anhembi. No caso de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, por exemplo, eles podem experimentar fantasias de carnavais anteriores para sentir peso e movimentação.
Já os avaliadores de bateria participam de atividades com um grupo formado por ritmistas de todas as escolas, para que nenhuma “levada” específica seja privilegiada nos treinamentos.
Os treinamentos e aperfeiçoamentos foram ministrados por interlocutores experts em seus quesitos, e todo o processo foi acompanhado por representantes de todas as escolasLiga-SP, em resposta ao g1
Quais quesitos serão avaliados em 2026
A comissão julgadora do carnaval de 2026 será responsável por analisar nove quesitos. Cada um contará com cinco jurados – quatro oficiais e um suplente – durante os desfiles.
Dessa forma, a Liga-SP busca combinar critérios técnicos, controle de vínculos e treinamento intensivo para tornar o julgamento mais transparente e confiável para escolas, componentes e público.