Lula e Hugo Motta trocam afagos após jantar e sinalizam reaproximação com a Câmara

Encontro na Granja do Torto foi descrito pelo presidente como gesto de agradecimento e ocorre em meio à tentativa do Planalto de iniciar o ano legislativo em clima de harmonia

05/02/2026 às 14:12 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), fizeram gestos públicos de aproximação após o jantar oferecido pelo governo na Granja do Torto, em Brasília. O encontro, realizado na noite de quarta-feira (4/2), reuniu cerca de 30 deputados, além de ministros e líderes da base aliada, e foi seguido por troca de afagos entre os dois nesta quinta-feira (5/2).

Segundo Lula, o jantar foi um

Segundo Lula, o jantar foi um "agradecimento" aos parlamentares pela aprovação de pautas importantes para o governo no ano passado, como a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês

Foto: (crédito: Ricardo Stuckert/PR)


De acordo com Lula, o jantar teve caráter de “agradecimento” aos parlamentares pelo apoio à agenda do governo no ano passado, incluindo a aprovação da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês e da reforma tributária. O Planalto busca iniciar o ano legislativo em clima de harmonia com o Congresso, após momentos de tensão vividos em 2025 entre Executivo e Legislativo.

Jantar de agradecimento e clima de confraternização

O encontro na Granja do Torto durou cerca de três horas e transcorreu em ambiente descrito como descontraído e de confraternização. Além de Motta, marcaram presença outros 30 deputados, líderes do governo e ministros. O cardápio teve como prato principal pirarucu e, na sobremesa, torta de chocolate, enquanto Lula circulava entre os convidados e discursava aos parlamentares.

Segundo relatos de líderes governistas, o presidente demonstrou confiança em relação às eleições de outubro, reforçando a intenção de manter coesa a base no Congresso. A avaliação no governo é de que uma boa sintonia com a Câmara será decisiva para o andamento de projetos estratégicos em um ano encurtado pelo calendário eleitoral.

Publicações nas redes e recados políticos

Nas redes sociais, Lula classificou o encontro como um gesto de reconhecimento ao trabalho dos deputados na aprovação de pautas consideradas cruciais para o governo e para o país, como a reforma tributária e a ampliação da faixa de isenção do IR para até R$ 5 mil. Ele também indicou que pretende repetir a iniciativa com os senadores em breve.

Em resposta à publicação, Hugo Motta agradeceu o convite e destacou que momentos de diálogo e respeito institucional são fundamentais para construir consensos em torno de temas de interesse nacional. A sinalização pública é vista como um movimento para reduzir ruídos e consolidar um canal mais estável de interlocução entre a Presidência e a Câmara.

Ajuste de rota com o Congresso em ano eleitoral

Lula quer um ambiente político mais ameno com o Legislativo em 2026. O ano será mais curto no Congresso por causa das eleições municipais de outubro, e a expectativa é de que as votações mais relevantes fiquem concentradas no primeiro semestre, período em que deputados e senadores ainda permanecem em Brasília antes de intensificar as agendas em suas bases eleitorais.

Entre as prioridades elencadas pelo governo para este ano estão o fim da escala 6x1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança e a regulamentação do trabalho por aplicativo. As matérias são tratadas como peças-chave para a estratégia política e econômica do Planalto, com potencial de repercutir na campanha à reeleição de Lula.

Crises recentes e tentativa de reconciliação

Durante o jantar, Lula elogiou Hugo Motta e o trabalho conduzido pela Câmara dos Deputados, reconhecendo, ao mesmo tempo, os atritos registrados no ano anterior. Inicialmente, o encontro também contaria com a presença do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e de líderes da Casa Alta, mas muitos ainda não haviam retornado a Brasília. A expectativa no governo é realizar um segundo jantar, com foco no Senado, após o carnaval.

Motta e Alcolumbre chegaram a interromper temporariamente o diálogo com integrantes do governo no auge da crise entre os poderes. No caso do presidente da Câmara, um dos pontos de desgaste foi a insatisfação com falas do então líder do PT, Lindbergh Farias (PT-PR), que o acusou de atuar contra os interesses do Planalto e fez críticas públicas à sua atuação.

Alcolumbre, por sua vez, se incomodou com a indicação, por parte de Lula, do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), ao defender o nome de seu antecessor no comando do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para a vaga. A superação dessas divergências é vista pelo governo como condição essencial para destravar a pauta no Congresso ao longo do ano legislativo.

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