Lula nega interferência no caso Banco Master e diz ter determinado investigação de 'maior fraude' do país
Presidente afirma que acionou Banco Central, Fazenda e PGR para avaliações técnicas após reunião com Vorcaro; BC liquidou o banco apontando fraude de R$ 12 bilhões
05/02/2026 às 14:01por Redação Plox
05/02/2026 às 14:01
— por Redação Plox
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BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (5/2) que não houve qualquer interferência política do Palácio do Planalto no caso envolvendo o Banco Master e que determinou a investigação e punição de todos os responsáveis pelo esquema bilionário sob apuração.
'Quem estiver metido na fraude do Banco Master vai ter que pagar o preço', afirma Lula
Foto: Agência Brasil
Lula classificou o episódio como a “maior fraude financeira” da história do país e disse que partidos políticos e parlamentares podem estar por trás da operação irregular. Segundo ele, os envolvidos no esquema terão de responder por seus atos.
Lula fala em punição e nega proteção política
Ao comentar o caso, o presidente reforçou que a crise no Banco Master deve ser tratada com rigor técnico, sem blindagem política. Para Lula, o momento é de apurar responsabilidades e expor quem participou da fraude, independentemente de vínculos partidários ou econômicos.
Em entrevista concedida ao portal UOL, no Palácio do Planalto, ele ressaltou que não tem interesse em proteger instituições financeiras, partidos ou empresas envolvidos em irregularidades, e que a orientação é para que os órgãos de controle atuem com autonomia.
Encontro com Vorcaro no Planalto
Lula confirmou que se reuniu com Vorcaro, controlador do Banco Master, em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, a pedido do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Entre julho e novembro de 2025, Mantega atuou como consultor do Master e recebeu cerca de R$ 16 milhões em honorários. O presidente afirmou que considera normal receber dirigentes de bancos em razão do cargo que ocupa.
Ele relatou que, para esse encontro, chamou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que já conhecia Vorcaro. Na ocasião, o controlador do Master afirmou estar sofrendo perseguição e disse que havia interesse em tirá-lo do comando do banco.
O então dirigente do Banco Master, Augusto Lima, também participou da reunião. Foi ele quem relatou uma suposta articulação dos grandes bancos para prejudicar o Master e concentrar o poder no sistema financeiro.
BC, Fazenda e PGR foram acionados após reunião
Depois do encontro com os representantes do Master, Lula disse ter convocado o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para ouvir a avaliação deles sobre Vorcaro e a situação do banco.
De acordo com o presidente, a orientação foi para que o caso fosse analisado com base em critérios técnicos, a partir das informações disponíveis nos órgãos de fiscalização e investigação, sem levar em conta interesses políticos.
Liquidação do Master e ação da PF
O Banco Central decidiu liquidar o Banco Master em novembro do ano passado, apontando uma fraude de R$ 12 bilhões. No mesmo dia, a Polícia Federal prendeu Vorcaro em uma operação que investiga também outros dirigentes do Master e do BRB, banco estatal de Brasília.
O BRB havia comprado parte do Master, mas o negócio foi desfeito pelo Banco Central após a identificação de uma série de irregularidades. A operação de venda foi oficialmente barrada em setembro de 2025 e, no mês seguinte, o Master entrou em liquidação.
Defesa de Lewandowski
Lula também saiu em defesa de Ricardo Lewandowski, seu ex-ministro da Justiça, que teve o nome associado ao escândalo em razão de um contrato de R$ 5 milhões firmado para prestar serviços ao banco antes de assumir o comando da pasta. Para o presidente, a contratação de juristas por grandes empresas em dificuldade faz parte da rotina do mercado.
O presidente destacou que Lewandowski deixou o vínculo com o banco quando foi convidado para integrar o governo e sustentou que isso afasta qualquer suspeita de conflito de interesses.
Operações com Rioprevidência e BRB sob investigação
Lula afirmou ainda que quer detalhes sobre as supostas fraudes que envolvem o Banco Master e os governos do Rio de Janeiro e do Distrito Federal. Entre novembro de 2023 e julho de 2024, o Rioprevidência, fundo dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, investiu R$ 970 milhões no Master.
Esse é o maior valor aplicado por fundos de aposentadoria de prefeituras e governos estaduais em operações com o banco. Segundo a Polícia Federal, a movimentação financeira colocou em risco recursos de 235 mil servidores fluminenses.
A PF também apura a tentativa de compra do Master pelo BRB. A negociação tinha o apoio do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que, à época, reagiu às críticas e chegou a acusar opositores de agirem contra os interesses de Brasília.
A operação foi interrompida pelo Banco Central em setembro de 2025. Um mês depois, o Banco Master foi liquidado, consolidando a quebra de uma instituição diretamente ligada a um suposto esquema de bilhões de reais em fraudes e irregularidades.