Lula pressiona por Pacheco em 2026 e União Brasil articula filiação em Minas

Presidente volta a sinalizar apoio ao senador para o governo mineiro enquanto aliados discutem saída do PSD, mudança no comando do União e exigência de um projeto de governabilidade

05/02/2026 às 13:29 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cortejar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), e reforçou a intenção de vê-lo candidato ao governo de Minas Gerais em 2026. A movimentação ocorre em meio às articulações para que o senador deixe o PSD, legenda na qual perdeu espaço, e migre para o União Brasil, em um movimento que tem a participação direta do senador Davi Alcolumbre (União).

Lula e Pacheco ainda vão se reunir para discutir candidatura em Minas Gerais

Lula e Pacheco ainda vão se reunir para discutir candidatura em Minas Gerais

Foto: Presidência


Parte do caminho para essa mudança de partido já foi pavimentada com a troca no comando do diretório estadual do União em Minas. Em articulação que contou com a atuação de Pacheco, o partido deve confirmar o deputado estadual Rodrigo de Castro, aliado do senador, na presidência da legenda no estado, em substituição ao deputado federal Marcelo de Freitas.

Lula mira palanque em Minas e manda recado a Pacheco

Sem mencionar diretamente a situação partidária de Pacheco, Lula fez um aceno público ao senador e ao eleitorado mineiro durante entrevista à jornalista Daniela Lima, no UOL News. O presidente demonstrou confiança na possibilidade de vitória em Minas e sinalizou que ainda trabalha para ter Pacheco como candidato ao governo do estado.

Em Minas Gerais, eu posso dizer para você agora, se eu conheço a alma mineira, nós vamos ganhar as eleições de Minas Gerais outra vez. E eu quero dizer aqui em alto e bom som, eu ainda não desisti de você, Pacheco. Você sabe que nós vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas Gerais. Eu estou muito certo disso, estou muito crente disso.

Lula, em entrevista ao UOL News

A conversa mencionada por Lula ainda não tem data marcada, mas aliados de Pacheco e interlocutores do PT apontam que o encontro, considerado decisivo para o futuro político do senador, deve ocorrer após o Carnaval. O período coincide com a previsão de filiação de Pacheco ao União Brasil.

Senador pesa candidatura, aposentadoria e saída da vida pública

Com o mandato de senador se encerrando no fim do ano, Pacheco avalia diferentes caminhos. Na mesa, está o desejo de Lula de tê-lo à frente do palanque petista em Minas na disputa pelo governo estadual. Ao mesmo tempo, interlocutores afirmam que a possibilidade de deixar a vida pública continua no radar do presidente do Senado, independentemente da troca de partido.

Aliados relatam que Pacheco espera de Lula um projeto político sólido e detalhado, que envolva não apenas a candidatura, mas também as condições de governabilidade em caso de vitória e um plano B para uma eventual derrota. A avaliação é de que, se eleito, o senador precisaria de forte apoio do governo federal para administrar Minas, especialmente diante da situação fiscal do estado.

Minas Gerais acumula uma dívida de R$ 205 bilhões, segundo o último boletim da Receita Estadual. Desse total, mais de R$ 182 bilhões são devidos à União, valor que começou a ser equacionado com a adesão, no fim do ano passado, ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag), iniciativa na qual Pacheco teve atuação destacada.

Aliados do senador consideram que assumir um estado nesse cenário é um desafio e cobram garantias do Planalto. Segundo integrantes do grupo político de Pacheco, o chamado “projeto” esperado de Lula inclui também uma alternativa em caso de revés nas urnas, com espaço em cargos de destaque em Brasília.

STF, ministério e o cálculo sobre o apoio a Lula

Entre as possibilidades ventiladas no entorno de Pacheco está o desejo de ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal e, em outro cenário, uma indicação para o ministério em um eventual segundo mandato de Lula. Integrantes do grupo político do senador avaliam que, sem uma sinalização concreta sobre esses caminhos, a disposição de Pacheco para se lançar ao governo de Minas com apoio do Planalto tende a ser menor.

Aliados citam ainda o histórico recente de exposição do senador em defesa do governo Lula, inclusive antes da indicação de Jorge Messias ao STF, como um ativo que Pacheco gostaria de ver recompensado em um novo arranjo político. Dentro desse tabuleiro, a entrada no União Brasil é vista por interlocutores como a opção partidária mais vantajosa para uma eventual candidatura ao Palácio Tiradentes, por oferecer estrutura, tempo de TV, recursos e plataforma segura.

Reacomodação no União Brasil e troco em aliados

A eventual filiação de Pacheco ao União Brasil é apontada como um movimento com múltiplos efeitos. De um lado, fortalece a bancada da sigla no Senado. De outro, pode esvaziar o palanque do vice-governador Mateus Simões (PSD) na disputa pelo governo de Minas. Federado ao PP, o União tinha um acordo alinhado para apoiar Simões, mas as negociações foram conduzidas pelo então presidente estadual, Marcelo de Freitas.

Com Rodrigo de Castro assumindo o comando da legenda em Minas, em articulação que teve a participação de Pacheco, o partido deve reorientar sua estratégia mirando 2026. Nesse cenário, a sigla poderia se afastar do projeto de Simões, considerado um dos responsáveis por isolar Pacheco dentro do PSD quando articulou sua própria filiação, em 2025, atrapalhando os planos do presidente do Senado para a disputa estadual.

Guinada interna e disputa por espaço em Minas

A troca de comando no União em Minas já provoca reações. O deputado federal Marcelo de Freitas, que perdeu espaço na sigla, tem avaliado o movimento como uma possível “guinada à direita” e abriu conversas com o Partido Liberal. Ele admite que o PL pode ser um destino, especialmente se o União Brasil em Minas Gerais, sob o novo comando, adotar uma orientação que ele classifica como mais alinhada à esquerda.

O processo de rearranjo ganhou fôlego com a vinda do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, a Belo Horizonte. Em agenda na capital, ele almoçou com Rodrigo de Castro na região Centro-Sul, em encontro que tratou diretamente das mudanças na legenda mineira, e também se reuniu com o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, e com o secretário de Governo da PBH, Guilherme Daltro.

Paralelamente, Davi Alcolumbre atua nos bastidores para consolidar a ida de Pacheco ao União, redesenhando correlações de força em Brasília e em Minas em torno da sucessão ao governo estadual em 2026.

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