Lupi diz que PT apoiará Kalil em MG em 2026, e ex-prefeito reage: 'não aceito imposição'
Declaração do presidente do PDT após reunião com Edinho Silva gerou surpresa no PT mineiro; Kalil rejeitou composição automática e a direção estadual afirmou que palanques seguem em discussão
05/02/2026 às 07:48por Redação Plox
05/02/2026 às 07:48
— por Redação Plox
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As negociações para a formação do palanque da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais ganharam um novo foco de tensão. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou que o PT apoiará a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), ao governo mineiro nas eleições de 2026. O anúncio foi feito na tarde desta quarta-feira (4/2), em Brasília, após reunião com o presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Os presidentes do PDT, Carlos Lupi, e do PT, Edinho Silva, reunidos se reuniram para discutir sucessão nos estados
Foto: crédito: Redes Sociais/reprodução
Kalil reage e impõe condições ao palanque
A sinalização de Lupi, porém, não encontrou eco imediato no principal interessado. Sem citar nomes, Kalil rejeitou publicamente, nas redes sociais, a ideia de uma composição automática com o PT. Em sua publicação, o ex-prefeito de Belo Horizonte afirmou que não aceitará imposição sobre quem dividirá seu palanque.
No mesmo post em que tratou da articulação com Kalil, Lupi, ex-ministro da Previdência do governo Lula, informou que o entendimento com o PT prevê também apoio petista às candidaturas de Juliana Brizola, no Rio Grande do Sul, e de Requião Filho, no Paraná. Pouco depois, voltou às redes para afirmar que o movimento faz parte de uma estratégia nacional para consolidar a base de Lula em estados considerados centrais.
Segundo ele, o acerto com os petistas será referendado internamente nos próximos dias, com foco em estados tidos como decisivos para o projeto de reeleição presidencial.
Direção do PT em Minas é surpreendida
A movimentação em Brasília não passou pela instância mineira do PT. Integrantes da direção estadual relataram surpresa ao serem informados sobre o encontro entre Edinho Silva e Carlos Lupi. Um dirigente chegou a desconfiar da veracidade da notícia ao receber a publicação e reagiu apontando que, na sua avaliação, negociações desse porte não deveriam ocorrer sem consulta prévia à executiva do partido em Minas.
O mesmo integrante da cúpula petista mineira se mostrou contrário à ideia de uma aliança com Kalil no estado, avaliando que eventuais acordos firmados em outras regiões do país não teriam, necessariamente, viabilidade em Minas Gerais.
Questionada, a presidente estadual do PT, deputada Leninha, afirmou que o partido ainda discute internamente os nomes que poderão encabeçar a chapa ao Executivo mineiro. Ela ressaltou que há um compromisso da direção nacional de construir, em conjunto com o diretório estadual, a definição de quem será apoiado pelo PT no estado.
Nota oficial reduz peso de eventual acordo
No site oficial do PT, uma nota assinada por Edinho Silva adotou tom mais cauteloso. O texto registra apenas que houve uma conversa com Carlos Lupi sobre a reeleição de Lula e enfatiza que a definição de palanques estaduais ainda está em aberto, condicionada ao diálogo com os diretórios regionais.
De acordo com a nota, o encontro entre os presidentes das duas siglas teve caráter político geral, sem bater o martelo sobre candidaturas específicas em cada estado. As possíveis composições locais, segundo o comunicado, seguem em debate e serão fechadas em sintonia com as instâncias estaduais das legendas.
Reaproximação com Kalil é antiga aposta
Apesar da posição mais amena expressa publicamente, a tentativa de reconstruir pontes com Kalil não é novidade na estratégia de Edinho Silva. Em novembro do ano passado, o presidente do PT esteve em Belo Horizonte e participou de um jantar na casa do ex-prefeito, em uma sondagem inicial sobre a possibilidade de nova aliança.
A conversa, porém, não avançou. Ficou evidente que as mágoas deixadas pela disputa de 2026, quando Kalil e Lula estiveram juntos, ainda pesam contra uma recomposição. Na ocasião, Kalil acabou derrotado pelo governador Romeu Zema (Novo) e, depois do pleito, tornou pública a insatisfação com o apoio que recebeu do PT, além de relatar que não manteve contato com Lula após a eleição.
Em dezembro, durante um café com jornalistas em Brasília, Edinho Silva fez gestos públicos de conciliação, ao elogiar Kalil e indicar que não fechava portas a uma nova aproximação. Na ocasião, reconheceu que disputas eleitorais tendem a deixar marcas e que o tempo seria importante para reduzir as divergências acumuladas no processo.
Resistência no PT mineiro e apoio de aliada
A má vontade de Kalil em relação ao PT encontra paralelo na base petista em Minas. Uma parcela significativa do diretório estadual demonstra resistência à possibilidade de voltar a montar um palanque com o ex-prefeito como candidato ao governo. O histórico recente da relação, ainda carregado de rusgas, é visto como entrave para a costura de um novo acordo.
Kalil, por outro lado, conta com uma aliada influente na defesa de seu nome: a prefeita de Contagem, Marília Campos, que deve disputar o Senado pelo PT. Em entrevista ao programa Café com Política, de O TEMPO, ela afirmou que, diante de um eventual recuo do senador Rodrigo Pacheco (PSD) — considerado a primeira opção de Lula em Minas —, o ex-prefeito de Belo Horizonte seria, em sua visão, a melhor alternativa para liderar o palanque presidencial no estado.
Na avaliação de Marília, Pacheco teve papel relevante no cenário nacional, e Kalil se destacou pela gestão em Belo Horizonte e pela atuação na disputa ao governo, quando representou o campo aliado de Lula em Minas. Ela ressaltou que o pedetista foi um aliado importante em 2022 e que, caso Pacheco não entre na disputa, espera que Kalil aceite assumir novamente essa função central no projeto eleitoral do presidente no estado.