Dólar forte derruba ouro e prata e metal amarelo volta a ficar abaixo de US$ 5 mil
Queda ocorre em meio a menor tensão geopolítica e mudança no apetite por risco; no início da tarde, contratos futuros recuavam em Nova York
05/02/2026 às 11:24por Redação Plox
05/02/2026 às 11:24
— por Redação Plox
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Em meio à forte valorização do dólar nos últimos dias, as cotações do ouro e da prata registravam queda acentuada nesta quinta-feira (5/2), em um movimento ligado ao arrefecimento das tensões geopolíticas e à mudança de humor dos investidores.
Dólar vem ganhando força desde a semana passada, após a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Banco Central dos Estados Unidos
Foto: Freepik
Após uma sequência de recordes históricos, a prata chegou a recuar cerca de 17%, aproximando-se de US$ 73 por onça-troy. O ouro, por sua vez, interrompeu a escalada e se manteve abaixo da marca de US$ 5 mil por onça-troy.
No fim da semana passada, o mercado já havia dado sinais de virada: o ouro registrou sua maior baixa desde 2013, enquanto a prata anotou a maior queda diária de sua história, marcando uma correção brusca após meses de forte valorização.
Desempenho de ouro e prata no mercado futuro
Por volta das 11h (horário de Brasília), os contratos futuros de ouro para abril caíam 1,98%, negociados a US$ 4.852,84 por onça-troy, segundo dados da divisão de metais da Bolsa de Valores de Nova York.
No mesmo horário, os contratos futuros de prata para março tinham perdas ainda mais expressivas, de 10,86%, sendo cotados a US$ 75,230.
No acumulado do ano passado, o ouro subiu 64%, o maior ganho anual em quase meio século, desde 1979, o que ajuda a dimensionar a intensidade da recente correção.
Dólar forte, indicação ao Fed e menor tensão geopolítica
O fortalecimento do dólar ganhou tração desde a semana passada, após a indicação do ex-diretor do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, para a presidência do banco central dos Estados Unidos.
O nome de Warsh, que ainda depende de aprovação do Senado norte-americano, foi escolhido pelo presidente Donald Trump. A expectativa é de que ele assuma o comando do Fed em maio deste ano, com o fim do mandato do atual presidente, Jerome Powell.
No front geopolítico, sinais de distensão também contribuíram para reduzir a demanda por ativos de proteção. Estados Unidos e Irã vêm avançando em negociações, o que diminui as tensões bilaterais e no Oriente Médio como um todo.
Além disso, Trump informou ter tido uma conversa considerada “muito positiva” com o líder chinês, Xi Jinping, nesta semana, o que reforçou a percepção de menor risco no cenário internacional.
Por que ouro e prata dispararam antes da correção
Analistas de mercado apontam que a trajetória até então ascendente do ouro foi impulsionada, sobretudo, pela busca de investidores por ativos de refúgio diante das incertezas políticas e econômicas nos Estados Unidos e de um mercado de ações considerado superaquecido.
A escalada de tensões na geopolítica global também alimentou a corrida aos metais preciosos. O ambiente inclui novas ameaças tarifárias dos EUA contra a União Europeia, a guerra entre Rússia e Ucrânia e protestos que colocam em xeque o regime teocrático do Irã. Em contextos de instabilidade, ativos vistos como mais seguros tendem a ganhar força.
Outro vetor relevante foi o chamado “comércio da desvalorização”, em que investidores buscam proteção fora das principais moedas. Nesse movimento, cresceram as apostas em bitcoin e outras criptomoedas, além de ouro e prata, em um claro afastamento de moedas como o dólar.
De acordo com analistas, a explicação para o forte tombo de ouro e prata desde a semana passada está justamente na recuperação do dólar após a indicação de Warsh para o comando do Fed. A moeda mais forte reduziu o apetite por metais preciosos, que vinham sendo comprados em larga escala como proteção e alternativa às divisas tradicionais.