Após assassinato de corretora, síndico isentou condomínio de taxa mensal e chamou de ‘bônus’

Segundo irmã da vítima, mensagem foi enviada no início de janeiro e citava isenção da taxa de condomínio de dezembro, além de questionar que houvesse prova de que ela sumiu dentro do prédio em Caldas Novas (GO).

05/02/2026 às 06:28 por Redação Plox

O síndico Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, isentou os moradores do pagamento da taxa de condomínio referente a dezembro, mês em que a corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, desapareceu e foi morta por ele. Em um áudio enviado a moradores de um grupo do prédio em Caldas Novas, no sudoeste de Goiás, ele reclamou da falta de reconhecimento pelo “bônus” concedido.


O síndico Cleber Rosa de Oliveira confessou ter matado a corretora Daiane Alves Souza

O síndico Cleber Rosa de Oliveira confessou ter matado a corretora Daiane Alves Souza

Foto: Wildes Barbosa/ O Popular e Arquivo Pessoal/ Nilse Alves Pontes

Eu isentei a taxa de condomínio que venceu no dia 10 de janeiro, referente a dezembro. Eu isentei os proprietários do pagamento dessa taxa, como um bônus, uma regalia, né, para começar o ano com essa taxa a menos a ter que pagar

Cleber Rosa de Oliveira

Síndico reclama de críticas e tenta conter comentários

Na gravação, Cleber se queixa de que sua iniciativa de isentar a taxa de condomínio havia gerado poucos comentários por parte dos moradores, ao contrário do desaparecimento da corretora, então ainda sem explicação. Segundo a irmã de Daiane, Fernanda Alves, que repassou o áudio ao portal de notícias g1, a mensagem foi gravada no início de janeiro. Cleber foi preso e confessou o crime no dia 28.

Ao se referir ao sumiço de Daiane, o síndico diz que os moradores se manifestam mais diante de notícias ruins do que de benefícios oferecidos pelo condomínio. Ele também afirma que muitos comentavam o caso mesmo sem informações completas.

Na mesma mensagem, Cleber pede que os moradores parem de comentar sobre o desaparecimento no grupo do condomínio e relata ter excluído um participante após ele publicar conteúdo sobre o assunto, contrariando uma proibição feita pelo próprio síndico. De acordo com Fernanda, esse morador, chamado por Cleber de “Joãozinho” no áudio, havia postado uma reportagem sobre o caso.

Antes de encerrar o áudio, o síndico ainda afirma aos moradores que “não há prova nenhuma” de que Daiane tenha desaparecido dentro do prédio e reclama que a responsabilidade estaria sendo atribuída ao condomínio de forma indevida.

Corretora foi morta com tiro na cabeça

Daiane foi morta em 17 de dezembro, após sair de seu apartamento e descer ao subsolo do prédio, no bairro Termal, para verificar por que o imóvel estava sem energia, algo que, segundo relatos, ocorria com frequência. A última imagem registrada dela é no elevador, por volta das 19h.

Mais de 40 dias depois do crime, já preso e após confessar o homicídio, Cleber levou a polícia até o local onde havia deixado o corpo, em uma área de mata em Ipameri, às margens da GO-213, a cerca de 15 km de Caldas Novas.

De acordo com a Polícia Civil, o caso é marcado por um histórico de conflitos e processos judiciais entre os dois, envolvendo uma disputa pela administração dos apartamentos da família de Daiane no condomínio.

Segundo a declaração de óbito à qual o g1 teve acesso, a corretora foi morta com um tiro na cabeça. O documento registra como causa da morte “Traumatismo Crânioencefálico causado por projéteis de arma de fogo”.

O advogado da família de Daiane, Plínio César Cunha Mendonça, já havia adiantado que informações preliminares da polícia apontavam a existência de uma bala alojada na cabeça da vítima. A defesa também informou que Cleber admitiu à polícia ter usado uma arma de fogo no crime.

Apesar da confirmação da causa da morte, a dinâmica exata do homicídio ainda será esclarecida pela Polícia Civil. Permanecem em aberto pontos como o local exato em que Daiane foi morta — se dentro do prédio ou às margens da rodovia estadual.

Família vive mistura de revolta e alívio

A mãe de Daiane, Nilse Alves, relatou viver sentimentos de revolta e, ao mesmo tempo, alívio após conseguir sepultar o corpo da filha depois de mais de 40 dias de procura. Para ela, o alívio vem do fato de que a corretora pôde ser colocada “em um lugar de descanso” e não permanecer “no meio do mato onde o assassino a jogou”, além do conforto em receber demonstrações de solidariedade e apoio.

O corpo de Daiane foi liberado pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Goiânia em 3 de dezembro, após identificação por DNA dentário. O velório e o sepultamento ocorreram no Cemitério Parque dos Buritis, em Uberlândia, Minas Gerais.

Defesa de Cleber diz que aguarda fim do inquérito

Em nota, a defesa de Cleber Rosa de Oliveira informou que não comentará o caso até a conclusão do inquérito policial e ressaltou que o cliente continua colaborando com as autoridades.

O escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os interesses do Sr. Cleber Rosa de Oliveira, vem informar que a defesa técnica aguarda o fim das investigações, de modo que não se manifestará sobre as circunstâncias e demais elementos do caso até a conclusão do inquérito policial. Todavia, reitera que o Sr. Cleber permanece colaborando com a Autoridade Policial

Defesa de Cleber Rosa de Oliveira

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