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A nova acusação de furto contra Suzane von Richthofen adiciona um capítulo à disputa judicial pela herança do tio, o médico aposentado Miguel Abdalla Netto, e pode afetar diretamente a situação penal dela. Condenada pelo assassinato dos pais em 2002, Suzane cumpre atualmente pena em regime aberto. A informação foi revelada pelo colunista Ullisses Campbell, do jornal O Globo.
Suzane von Richthofen
Foto: Reprodução
Segundo boletim de ocorrência divulgado pelo jornalista, a prima de Suzane, Silvia Gonzalez Magnani, a acusa de furtar itens da casa de Miguel Abdalla Netto, encontrado morto em janeiro deste ano. Entre os objetos mencionados estão lavadora de roupas, sofá, poltrona e uma bolsa com documentos e dinheiro.
A denúncia foi apresentada no contexto do conflito entre as duas pelo espólio do médico, estimado em cerca de R$ 5 milhões. A disputa patrimonial se soma agora a uma investigação criminal que pode ter desdobramentos na execução da pena de Suzane.
O caso ganhou contornos mais delicados porque, em um processo que tramita na Vara de Família e Sucessões de Santo Amaro, Suzane já admitiu ter entrado na casa do tio após a morte dele e retirado alguns itens, entre eles um carro Subaru XV. Ela também afirmou ter mandado soldar o portão da residência.
A justificativa apresentada por Suzane no processo foi a de que as medidas teriam sido tomadas para proteger o patrimônio até que a Justiça definisse o destino dos bens.
Com o registro da ocorrência, Suzane passa a ser investigada formalmente por furto. Caso haja indiciamento e eventual condenação, o episódio pode repercutir na execução penal: o cometimento de novo crime, como prevê a Lei de Execuções Penais, pode levar à regressão de regime e até ao retorno à prisão para cumprimento do restante da pena imposta pelo assassinato dos pais.
A questão patrimonial está no centro do conflito. Miguel Abdalla Netto morreu em 9 de janeiro de 2026, dentro da casa onde morava sozinho, no bairro do Campo Belo, em São Paulo. O corpo foi encontrado em avançado estado de decomposição por um vizinho que tinha a chave do imóvel.
O atestado de óbito apontou causa indeterminada, e a Polícia Civil passou a tratar o caso como morte suspeita. Sem testamento e sem herdeiros diretos, abriu-se discussão judicial sobre quem terá direito ao patrimônio deixado pelo médico.
Nesse cenário, Suzane, como sobrinha, poderia figurar na linha sucessória. Já Silvia Magnani afirma ter vivido em união estável com Miguel por cerca de 14 anos e diz possuir documentos que comprovariam a relação, o que a colocaria em posição prioritária na sucessão.
Silvia também sustenta que pretende pedir à Justiça que Suzane seja declarada indigna de receber herança, em argumento semelhante ao que, no passado, impediu a condenada de acessar o patrimônio dos próprios pais após o crime de 2002.
Na ocasião, foi o próprio Miguel Abdalla Netto quem atuou judicialmente para barrar a sobrinha do acesso aos bens da família. Agora, a morte do médico, a disputa pelo espólio e a nova investigação por furto recolocam o nome de Suzane no centro de um embate jurídico com possíveis reflexos criminais e patrimoniais.