Desemprego no Brasil fica em 5,4% e registra menor nível para trimestres encerrados em janeiro
Dados da Pnad Contínua do IBGE mostram estabilidade frente ao trimestre anterior e queda em relação ao mesmo período do ano passado; analistas apontam mercado aquecido e possível impacto em inflação e juros.
05/03/2026 às 11:24por Redação Plox
05/03/2026 às 11:24
— por Redação Plox
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A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual está no menor nível da série histórica para trimestres encerrados em janeiro.
Carteira de trabalho
Foto: Divulgação
O resultado mostra estabilidade em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, quando a taxa também foi de 5,4%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 1,1 ponto percentual — a taxa era de 6,5%.
Segundo a coordenação de pesquisas domiciliares do IBGE, os dados indicam estabilidade na passagem do trimestre, mas com tendência de queda ao longo da série recente. A avaliação é de que o movimento usual na virada do ano ainda pode aparecer nos próximos resultados, já que é comum a taxa de desocupação subir ao longo do primeiro trimestre.
Na comparação anual, a pesquisa aponta uma melhora mais evidente do mercado de trabalho, com redução da desocupação e avanço da ocupação.
Principais números da Pnad Contínua
A pesquisa de novembro de 2025 a janeiro de 2026 mostra o seguinte quadro:
Indicadores gerais
Taxa de desocupação: 5,4%
Taxa de subutilização: 13,8%
População desocupada: 5,9 milhões
População ocupada: 102,7 milhões
População fora da força de trabalho: 66,3 milhões
População desalentada: 2,7 milhões
Vínculos de trabalho
Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões
Empregados sem carteira assinada: 13,4 milhões
Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões
Trabalhadores informais: 38,5 milhões
Desocupação cai em um ano e ocupação bate recordes
A população desocupada somou 5,9 milhões de pessoas no trimestre encerrado em janeiro, número estável em relação ao trimestre de agosto a outubro de 2025.
Em relação ao mesmo período do ano anterior, porém, houve queda de 17,1%, o que representa cerca de 1,2 milhão de pessoas a menos em busca de trabalho.
Já a população ocupada chegou a 102,7 milhões de pessoas. O contingente ficou praticamente estável frente ao trimestre anterior, mas cresceu 1,7% em um ano, com a entrada de mais 1,7 milhão de pessoas no mercado de trabalho.
Com isso, o nível de ocupação — proporção de pessoas em idade de trabalhar que estão empregadas — ficou em 58,7%. O índice se manteve estável na comparação trimestral e ficou 0,5 ponto percentual acima do registrado um ano antes.
Subocupação e desalento em queda no ano
A população subocupada por insuficiência de horas — pessoas que trabalham menos horas do que gostariam — somou 4,5 milhões no trimestre encerrado em janeiro. O dado permaneceu estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação anual.
A população fora da força de trabalho alcançou 66,3 milhões de pessoas. O grupo ficou estável frente ao trimestre anterior, mas aumentou 1,3% em um ano, o equivalente a 846 mil pessoas a mais nessa condição.
Entre os que desistiram de procurar emprego, a chamada população desalentada somou 2,7 milhões de pessoas. O número ficou estável na comparação trimestral, mas recuou 15,2% em relação ao mesmo período do ano passado, uma redução de 476 mil pessoas.
A taxa de desalento ficou em 2,4%, estável no trimestre e 0,4 ponto percentual abaixo da registrada um ano antes.
Desalentados são pessoas fora da força de trabalho no momento da pesquisa, que gostariam de trabalhar e estavam disponíveis para assumir uma vaga, mas não procuraram emprego naquele período — em geral por acreditarem que não encontrariam uma oportunidade.
Formalidade, informalidade e vínculos de trabalho
No mercado formal e informal, os principais tipos de ocupação apresentaram o seguinte comportamento no trimestre:
Empregados no setor privado com carteira assinada (exceto domésticos): 39,4 milhões, com estabilidade em relação ao trimestre anterior e alta de 2,1% em um ano, o que significa cerca de 800 mil vagas a mais.
Empregados sem carteira no setor privado: 13,4 milhões, estável tanto na comparação trimestral quanto na anual.
Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões, com estabilidade no trimestre e aumento de 3,7% em um ano, acréscimo de 927 mil pessoas.
Trabalhadores domésticos: 5,5 milhões, estáveis em relação ao trimestre anterior, mas com queda de 4,5% na comparação anual, redução de 257 mil pessoas.
A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores informais. No trimestre encerrado em outubro, esse percentual era de 37,8% (38,8 milhões), enquanto, no mesmo período do ano anterior, era de 38,4% (também cerca de 38,8 milhões).
Renda cresce e massa salarial renova recordes
O rendimento real habitual de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.652, com alta de 2,8% em relação ao trimestre anterior e de 5,4% frente ao mesmo período do ano passado.
A massa de rendimento real habitual — soma de todos os salários pagos no país — chegou a R$ 370,3 bilhões. O valor representa crescimento de 2,9% no trimestre, um acréscimo de R$ 10,5 bilhões, e de 7,3% em um ano, o equivalente a mais R$ 25,1 bilhões.
Força de trabalho e desempenho por setor
A força de trabalho — que reúne pessoas ocupadas e desocupadas em busca de emprego — somou 108,5 milhões de pessoas no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026.
O total ficou estável em relação ao trimestre encerrado em outubro, mas cresceu 0,4% em um ano, o que representa a entrada de 472 mil pessoas na força de trabalho.
Na análise por setores de atividade, a comparação com o trimestre anterior mostra:
Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: alta de 2,8% (mais 365 mil pessoas).
Outros serviços: crescimento de 3,5% (mais 185 mil trabalhadores).
Indústria geral: queda de 2,3% (menos 305 mil pessoas).
Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, os principais movimentos foram:
Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: alta de 4,4% (mais 561 mil pessoas).
Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais: crescimento de 6,2% (mais 1,1 milhão de pessoas).
Serviços domésticos: queda de 4,2% (menos 243 mil trabalhadores).
Mercado de trabalho aquecido e atenção à inflação
Para analistas, os resultados da Pnad de janeiro reforçam que o mercado de trabalho brasileiro segue aquecido, com desemprego em patamar historicamente baixo, avanço da renda e expansão da massa salarial.
Ao mesmo tempo, a combinação de emprego forte e salários em alta é apontada como fator que pode pressionar a inflação, o que exige cautela na condução da política monetária.
O economista Maykon Douglas avalia que o quadro é positivo sobretudo porque a taxa mínima de desemprego vem acompanhada de aumento do número de pessoas ocupadas e de crescimento da renda, sem sinais contraditórios relevantes em relação às leituras anteriores.
A taxa de desemprego sustentou a mínima histórica devido ao aumento no número de empregados, mesmo com a alta na taxa de participação da força de trabalho. Além disso, a massa salarial renovou a máxima histórica e voltou a acelerar em base anual, registrando o maior crescimento desde meados do ano passado.Maykon Douglas
Na leitura do economista, trata-se de uma leitura mensal sólida, que confirma o dinamismo do mercado de trabalho no país e tende a reforçar uma postura mais cautelosa do Banco Central, já que emprego e salários mais altos podem pressionar preços ligados ao consumo.
Douglas projeta ainda uma leve alta da taxa de desemprego nos próximos meses, movimento típico do início de cada ano, e estima que o indicador encerre 2026 com média anual de 5,2%, abaixo do nível de 2025.
Resiliência e ritmo dos juros
A avaliação é compartilhada pelo economista Rafael Perez, que vê os dados como sinal de resiliência do mercado de trabalho. Para ele, a taxa de 5,4% ficou em linha com as projeções e reflete, em parte, o comportamento sazonal do início do ano, quando o fim das vagas temporárias abertas no período de festas costuma elevar o desemprego.
Mesmo assim, ele destaca que diversos indicadores seguem em níveis recordes, como o número de pessoas ocupadas, o total de empregos formais e a massa de rendimentos.
Segundo Perez, esse ambiente tende a impulsionar a renda e o consumo das famílias, mas também pode dificultar a convergência da inflação para as metas. A expectativa é de que o Banco Central mantenha um ritmo cauteloso e gradual de cortes de juros ao longo do ano.