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Em uma cidade em constante transformação, as obras públicas que nunca foram concluídas se tornaram parte da paisagem e chamam a atenção de quem passa. São prédios de concreto abandonados, cercados por tapumes e mato alto, que simbolizam projetos interrompidos e dinheiro público parado.
De acordo com estimativas do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), apenas na capital paulista há 34 obras públicas paralisadas, com contratos que somam mais de R$ 542 milhões. O montante não inclui os gastos extras com manutenção e segurança dessas estruturas.

Sede do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo
Foto: TCE-SP
Um dos exemplos mais antigos fica na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, no Mandaqui, Zona Norte. O conjunto de três prédios que deveria abrigar a sede da Polícia Militar começou a ser construído no fim da década de 1980, em um terreno da Escola Superior de Soldados do Barro Branco, mas a obra foi interrompida em 1992.
Mesmo abandonado, o local mantém guarita e vigilância 24 horas. Para moradores da região, o espaço, hoje ocioso, poderia ter outra destinação.
Em 2014, a Polícia Militar informou que a empresa responsável pela construção havia falido e que o contrato fora encerrado, mas declarou ter “interesse institucional” em concluir o projeto. Questionada novamente, a corporação afirmou que estuda medidas para a retomada da obra, com apoio técnico da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação.
Outro esqueleto de concreto fica ao lado do Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste, e pertence ao Ministério Público de São Paulo. A construção foi interrompida em 2023 após o surgimento de suspeitas de irregularidades e corrupção.
Segundo o órgão, além da investigação em curso, foram detectados problemas nas medições da obra.
Para a professora de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Vera Monteiro, uma obra interrompida sempre representa prejuízo para os cofres públicos.
Quem é responsável é o poder público. Se a obra para, os custos decorrentes dessa interrupção saem do orçamento. No fim das contas, é dinheiro do contribuinteVera Monteiro
Segundo o TCE, em todo o estado de São Paulo existem 267 obras públicas paradas, com contratos que ultrapassam R$ 1,33 bilhão.
Na Zona Sul, em Santo Amaro, outro espaço ilustra a dificuldade de tirar projetos do papel. Um terreno doado pela Prefeitura à Universidade Federal de São Paulo há cerca de 20 anos deveria ter sido usado para ampliar o campus em até quatro anos. A obra, porém, nunca começou.
De acordo com o Tribunal de Contas da União, há 103 obras com investimento federal paradas na capital. O caso da Unifesp não entrou na lista porque a construção sequer foi iniciada.
Agora, a promessa é transformar o espaço em um hospital-escola, com 326 leitos para atendimento pelo SUS. O atendimento será de “porta fechada”, recebendo pacientes encaminhados por outras unidades, e a previsão é de que as obras comecem no segundo semestre.
Moradores e lideranças sociais da região, no entanto, defendem outro uso para a área no período em que o projeto não avança. Paula Silva, fundadora da ONG Mãos que Alimentam, cobra uma solução com foco social.
Temos cerca de 300 famílias cadastradas que precisam de moradia, muitas em situação de extrema vulnerabilidade. Por que não pensar em algo social enquanto isso?Paula Silva
Em nota, a Polícia Militar reiterou que estuda as medidas necessárias para a retomada da obra da futura sede, com apoio técnico da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação. Já o Ministério Público de São Paulo informou que, além da investigação por suspeita de corrupção, foram identificadas irregularidades nas medições da construção interrompida ao lado do Fórum da Barra Funda.