Polícia investiga “família do crime” suspeita de lavar R$ 20 milhões para facção

Investigação aponta tráfico, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar, com movimentação superior a R$ 20 milhões em um ano e sete meses no norte do estado

05/03/2026 às 14:07 por Redação Plox

A Polícia Civil de Mato Grosso (PCMT) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5/3), a Operação Showdown, com o objetivo de desarticular um núcleo familiar ligado a uma facção criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar na região norte do estado. As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 20 milhões em um período de um ano e sete meses, montante considerado incompatível com a renda declarada pelos investigados.


As investigações indicam que o grupo familiar movimentou mais de R$ 20 milhões em um período de um ano e sete meses

As investigações indicam que o grupo familiar movimentou mais de R$ 20 milhões em um período de um ano e sete meses

Foto: Divulgação/PCMT


Ao todo, a operação cumpre 31 ordens judiciais, incluindo quatro mandados de prisão, sete de busca e apreensão, seis sequestros de veículos, quatro de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de empresas. As medidas foram autorizadas pela 5ª Vara Criminal de Sinop e são executadas nas cidades de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.

A ação resulta de investigações conjuntas da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá e da Delegacia de Alta Floresta, com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). O caso se insere em uma ofensiva mais ampla contra facções criminosas no estado.

Mulher apontada como líder está foragida

O principal alvo da Operação Showdown é uma mulher identificada como liderança de uma facção criminosa em Alta Floresta. Considerada de alta periculosidade, ela está foragida desde agosto de 2025, quando fugiu do Presídio Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.

Familiares da investigada também são alvo da ação, entre eles o pai, a filha e o marido. De acordo com a polícia, eles atuariam como operadores financeiros do grupo, responsáveis por lavar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas e demais atividades ilícitas.

Para ocultar a origem dos recursos, o núcleo familiar recorria a empresas de fachada nos ramos de calçados, beleza e roupas multimarcas. A investigação aponta ainda o uso de plataformas digitais de jogos de azar on-line, cujos ganhos eram apresentados como receitas legítimas, compondo a engrenagem de lavagem de dinheiro.

Garimpo, bar e exploração criminosa

Outro eixo do esquema, segundo a investigação, envolvia a exploração de garimpo irregular na região de Alta Floresta. O pai da líder da facção seria o responsável por administrar essa atividade, além de gerenciar um bar que também funcionaria como prostíbulo nas proximidades de Nova Bandeirantes.

O estabelecimento, ainda conforme a apuração policial, serviria como base para a prática de extorsões contra garimpeiros e para a comercialização de drogas. O ouro extraído no garimpo também poderia ser usado para mascarar a origem de recursos ilícitos e reinseri-los no mercado formal, ampliando a capacidade de movimentação financeira do grupo.

Ostentação nas redes sociais

A filha e o genro da suposta líder da facção chamaram a atenção dos investigadores pelo padrão de vida elevado. Segundo a polícia, o casal ostentava imóveis, carros de luxo e viagens internacionais, em contraste com a renda compatível oficialmente declarada.

A jovem mantém um perfil em rede social com mais de 40 mil seguidores, onde compartilha fotos da rotina e de aquisições de alto valor, exibindo bens e experiências de alto padrão. Esse comportamento de ostentação contribuiu para reforçar as suspeitas sobre a origem do patrimônio.

Significado de Showdown e integração com outras ações

O nome da operação, Showdown, faz referência a uma jogada de pôquer em que os jogadores revelam suas cartas ao final da rodada. A escolha remete ao uso de plataformas de jogos de azar para lavagem de dinheiro pelo grupo investigado, em uma espécie de exposição compulsória das “cartas” do esquema criminoso.

A Operação Showdown integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, no âmbito da Operação Pharus, que, por sua vez, faz parte do programa estadual Tolerância Zero de combate às facções criminosas. As ações articuladas buscam atingir não apenas os executores diretos dos crimes, mas também a estrutura financeira e patrimonial das organizações.

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