Rio registra quase 10 atendimentos diários por violência sexual em 2025 e bate recorde

Rede municipal de saúde contabilizou 3,4 mil atendimentos no ano, o maior número já registrado, segundo dados da prefeitura.

05/03/2026 às 11:42 por Redação Plox

O Rio de Janeiro registrou, em 2025, uma média de quase dez atendimentos por violência sexual por dia na rede de saúde, segundo dados da prefeitura. Ao todo, foram 3,4 mil atendimentos, o maior número já contabilizado na cidade.


Rio teve média de quase 10 atendimentos por violência sexual por dia em 2025

Rio teve média de quase 10 atendimentos por violência sexual por dia em 2025

Foto: Reprodução/TV Globo


Os registros reúnem informações de hospitais, clínicas particulares, postos de saúde e demais unidades de atendimento do município, em qualquer ponto do Rio, onde mulheres vítimas de violência sexual buscam ajuda.

Desde 2015, mais de 20.568 mulheres foram atendidas na rede municipal de saúde em razão de violência sexual. O volume acumulado em dez anos expõe a persistência e a gravidade do problema na capital fluminense.

Monitoramento mais detalhado da violência

O painel que reúne os dados de violência funciona há três anos, mas foi a partir de dezembro que as informações sobre violência contra a mulher passaram a ser classificadas de forma mais específica.

O sistema permite acompanhar a evolução dos casos e segmentar os registros por região da cidade, faixa etária e perfil racial das vítimas.

Regiões com mais atendimentos

Desde 2015, Campo Grande é a área que concentra o maior número de atendimentos por violência sexual na rede municipal: 3.183 casos.

Na sequência aparecem Barra e Jacarepaguá, com 2.926 atendimentos, e a região de Madureira e Irajá, com 2.803 registros.

Esses números indicam uma forte concentração da demanda por atendimento em áreas populosas e de grande extensão territorial.

Perfil das vítimas atendidas

Os dados, que podem ser consultados pela internet, também traçam o perfil das vítimas de violência sexual que chegam aos postos de saúde da cidade.

Entre as faixas etárias, 35% das vítimas têm entre dez e dezenove anos de idade, e 20% estão na faixa de vinte a vinte e nove anos. Um dado especialmente alarmante é a presença de crianças entre as vítimas: 28% têm de três a nove anos.

Em relação à raça/cor autodeclarada, 42% das vítimas se identificam como pardas, 32% como brancas e 19% como pretas.

Onde as agressões acontecem

Mais da metade das vítimas relatam ter sido agredidas dentro de casa. As ruas aparecem como o segundo principal local de ocorrência, com 16% dos casos.

A predominância da residência como cenário da violência reforça o caráter doméstico e muitas vezes silencioso desses crimes.

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