Ipatinga

acontece

X FECHAR
ONDE VOCÊ ESTÁ?

    Especialistas alertam que não existe limite seguro para álcool e direção

    Mesmo com mais um caso de atropelamento por condutor alcoolizado, motoristas insistem em beber e dirigir

    Por Plox

    05/04/2022 11h35 - Atualizado há 4 meses

    A cada 13 horas, uma pessoa foi vítima da combinação de álcool e direção no Distrito Federal, conforme um levantamento feito pelo Correio. Em menos de três dias, foram cinco ocorrências, sendo duas fatais. A mais recente vítima é Gilberto Bezerra de Siqueira, 63 anos, que morreu na noite do último sábado, após ser atropelado por um carro, na DF-475. O motorista, Gilberto Torres Coelho Júnior, 50, havia ingerido bebida alcoólica. A prática, que é considerada um crime há 14 anos, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Ainda assim, a imprudência e a crença de conhecer o limite para a ingestão de bebidas são desafios para o poder público que segue tentando convencer os condutores de que não há limite seguro para a prática.

     

    Para especialista, álcool e direção são questões de saúde pública -  (crédito: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)

    Nos meses de janeiro e fevereiro, foram registradas 5.145 infrações pelo Departamento de Trânsito (Detran-DF), Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) e Polícia Militar (PMDF), no Distrito Federal. O número indica aproximadamente 84 flagrantes por dia na capital e, em alguns dos casos, a alcoolemia chega a níveis acima do esperado. No caso de Gilberto, o motorista foi submetido ao teste de bafômetro, cujo resultado foi 1,34 miligramas de álcool por litro de ar expelido (mg/L), valor acima do permitido, que é de 0,33mg/L, o que indica embriaguez. A hipótese foi corroborada segundo o histórico da ocorrência, que indica que o motorista do veículo estava com "a capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool".

    O sinistro de trânsito ocorreu em frente a uma distribuidora de bebidas, na DF-475, em Ponte Alta, no Gama. A perícia foi solicitada para o local, e a ocorrência está a cargo da 20ª Delegacia de Polícia (Gama). De acordo com o delegado do caso, a vítima foi atropelada e encaminhada para o Hospital Regional do Gama, mas não sobreviveu. O motorista, que chegou a ser preso, mas pagou a fiança, arbitrada no valor de R$2 mil, e deve responder em liberdade. "Com relação ao homicídio culposo, ainda estamos em apuração, uma vez que merece melhor aprofundamento para entender a ocorrência dos fatos. A perícia foi feita no local, e quando emitirem o laudo, ou conseguirmos qualquer outro elemento que sirva de prova para a investigação, esse motorista pode vir a responder pelo crime", explica. O Correio tentou contato com o motorista, mas não teve sucesso. O espaço segue aberto para pronunciamento.

    Sensação de poder

    Assumir o risco, acreditar no domínio do corpo é algo comumente visto em casos de crimes dessa natureza, conforme explica Malthus Galvão, professor de medicina legal da UnB, e ex-diretor do Instituto Médico Legal (IML). O especialista explica que dentre as alterações produzidas pelo álcool, estão, principalmente, a falta completa de percepção e a perda de habilidades necessárias no trânsito, como tempo de reação, percepção visual e noção de autodomínio. "Pessoas não embriagadas também cometem equívocos mas, estatisticamente, está comprovado que quem bebe perde, por completo, a capacidade e também a noção de que perdeu essas habilidades, apesar do álcool dar a sensação de poder", cita.

    De acordo com o especialista, há uma diferença entre alcoolemia e embriaguez. "A alcoolemia é um número, não um valor, que é medido tanto através do sangue como na respiração. A embriaguez, por outro lado, é o conjunto das alterações produzidas pelo álcool, mas que são variáveis, vai de pessoa para pessoa. Questões emocionais, inclusive, são importantes neste contexto", pondera. Dentre as variáveis para avaliar o nível da embriaguez, estão o volume ingerido, a concentração etílica, o tempo, e a massa corporal da pessoa. Diante disso, são utilizadas técnicas que avaliam as sutis alterações comportamentais, que vão desde o andar, até a negativa de fazer exames.

     

    Se enganam aqueles que pensam que comer doce, tomar banho ou tomar remédios são alternativas que podem ajudar a reduzir a alcoolemia do corpo. É o que explica o professor. "A depender da quantidade, para você tirar o último resíduo de álcool, gasta quase 24 horas. Então, muitas vezes a pessoa acorda e acha que está com uma ressaca enfadonha, mas bebeu até de madrugada. Isso é, na verdade, a embriaguez", ressalta. "É preciso um tempo para metabolizar e sair da zona embriaguez. Após algum tempo de alcoolemia elevada, a pessoa se acostuma e acha que está bem, sob controle. Mas ao parar na blitz, acaba dançando. Então o recado é: se você tomou uma cervejinha, não dirija", completa.

    Questão de saúde

    A direção sob efeito do álcool é um problema que extravasa os limites da segurança pública, atinge proporções alarmantes e, segundo a doutora em Transportes e professora em Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB), Adriana Modesto, é, ainda, uma questão de saúde pública. De acordo com ela, os prejuízos do consumo de álcool são em decorrência de três fatores: toxidade, intoxicação aguda ou dependência. A dependência ao álcool pode gerar uma série de agravos à saúde, conforme explica Adriana.

    "Tais como: contribuição ou agravamento de doenças crônicas, problemas psicossociais e outros tipos de violência além da relacionada ao trânsito", cita. Segundo a especialista, após ocorrências de trânsito, o álcool pode prejudicar, ainda, o diagnóstico e atendimento da vítima, além de desenvolver o agravamento de doenças crônicas latentes, e aumentar as chances de reincidência e dificuldade de recuperação.

    Por isso, a especialista reforça a importância de políticas públicas integradas, que combatam a reincidência de casos, que podem ser causados, inclusive, pelo alcoolismo. "É necessário o aprimoramento dessas abordagens e que tratem o tema como questão de saúde pública, sobretudo, em se tratando de reincidências", completa.

     

     

    Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2022/04/4998253-especialistas-alertam-que-nao-existe-limite-seguro-para-alcool-e-direcao.html
    PLOX BRASIL © Copyright 2008 - 2022[email protected]