Bolsonaro presta depoimento à Polícia Federal sobre joias da Arábia Saudita

Entre as pessoas que serão ouvidas estão o ajudante de ordens do ex-chefe do Executivo, tenente-coronel Mauro Cid, além de assessores do governo Bolsonaro e fiscais da Receita Federal

Por Plox

05/04/2023 14h27 - Atualizado há cerca de 1 ano

Nesta tarde de quarta-feira (05), o ex-presidente Jair Bolsonaro está prestando depoimento na sede da Polícia Federal em Brasília. O depoimento estava previsto para as 14h30, e Bolsonaro chegou ao local cerca de 20 minutos antes, em um carro descaracterizado para evitar ser identificado.

 

Entre as pessoas que serão ouvidas estão o ajudante de ordens do ex-chefe do Executivo, tenente-coronel Mauro Cid, além de assessores do governo Bolsonaro e fiscais da Receita Federal. O objetivo da polícia é confrontar informações e impedir compartilhamentos de estratégias de defesa.

Aliados de Jair Bolsonaro veem uma oportunidade no depoimento para reduzir o desgaste com o escândalo das joias. Foto: Facebook/Jair Messias Bolsonaro.

 

Aliados de Jair Bolsonaro veem uma oportunidade no depoimento para reduzir o desgaste com o escândalo das joias. Segundo eles, falta ao ex-presidente colocar sua versão sobre o ocorrido. Além disso, a defesa de Bolsonaro devolveu o terceiro pacote de joias, que inclui entre os itens um relógio da marca Rolex, um dia antes do depoimento, em uma agência da Caixa, em Brasília.

Casa do ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília. Foto: Brenda Colen/Plox.

 

Testemunhas ouvidas

O ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, também prestará depoimento. Fontes próximas ao militar ouvidas pela CNN reforçaram que "Cid não dava um passo nem tomava um copo d’água sem autorização do ex-presidente".

Também estará na oitiva o coronel Marcelo Costa Câmara. Ele seria o operador de um gabinete paralelo de inteligência e segurança a serviço do ex-mandatário brasileiro.

O primeiro-sargento da Marinha Jairo Moreira da Silva, que foi a Guarulhos (SP) tentar reaver as joias, já foi ouvido. Ele afirmou à Polícia Federal que foi ao aeroporto em dezembro do ano passado tentar retirar as peças após ordem do tenente Cleiton Henrique Holszchuk, assessor de Mauro Cid.

Defesa de Bolsonaro

Em entrevista à CNN no aeroporto de Orlando, nos Estados Unidos, na semana passada, Bolsonaro negou irregularidades com as joias que recebeu de presente do governo da Arábia Saudita e afirmou que os objetos estavam cadastrados. "Se houvesse má-fé por parte de alguém, não teria sido cadastrado. (...) Nada foi escondido. Se a imprensa divulga, é porque tem um cadastro dizendo que foi recebido", explicou, adicionando que todos os itens estão "à disposição".

No depoimento, a expectativa de dirigentes do partido é de que Bolsonaro adote duas linhas de defesa: de que houve equívocos de assessores do governo sobre o transporte dos presentes e de que falta uma regulação jurídica mais clara sobre presentes recebidos por chefes de estado.

TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) havia decidido que o segundo estojo de joias, listado no acervo pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo investigado no caso das joias da Arábia Saudita, também deverão ser esclarecidos durante os depoimentos.

Joias foram apreendidas pela Receita Federal. Foto: Reprodução/TV.

 

A defesa de Bolsonaro já havia afirmado que os bens foram registrados, catalogados e incluídos no acervo da Presidência da República, e que todo o acervo de presentes será submetido à auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). No entanto, o TCU havia determinado que o segundo estojo de joias, que foi listado no acervo pessoal de Bolsonaro, deveria ser entregue às autoridades, assim como um par de armas que o ex-presidente trouxe do exterior.

A investigação se concentra em três pacotes de joias entregues pelo governo saudita ao governo brasileiro durante o mandato de Bolsonaro, entre 2019 e 2022. Os objetos não foram declarados como presentes de Estado, o que levantou suspeitas sobre a sua legalidade. O episódio se tornou um problema político para o ex-presidente, uma vez que envolve valores elevados e é facilmente compreensível pela população.

Com a prestação de depoimento de Bolsonaro e outras testemunhas, espera-se que a polícia possa esclarecer os fatos e impedir que as estratégias de defesa sejam compartilhadas entre os envolvidos no caso.


 

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