Parcelamento de dívidas pelo Pix em discussão entre Haddad e Campos Neto

A ideia tem como objetivo reduzir os custos de crédito no país e aumentar a competitividade no setor bancário

Por Plox

05/04/2023 08h37 - Atualizado há cerca de 1 ano

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, propôs ao presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, a possibilidade de parcelamento de dívidas utilizando o Pix, sistema de transferências instantâneas desenvolvido pelo BC. A ideia tem como objetivo reduzir os custos de crédito no país e aumentar a competitividade no setor bancário.

A proposta faz parte de um pacote de estímulo ao crédito, que inclui 12 medidas para melhorar as condições de crédito no país. Dessas, metade já foi aprovada pelo Banco Central. Além disso, Haddad mencionou o Programa Desenrola, que visa renegociar até R$ 50 bilhões em dívidas de 37 milhões de pessoas físicas. A medida provisória do programa aguarda apenas a finalização do sistema pela B3, a bolsa de valores brasileira.

O fundo garantidor do Programa Desenrola, que cobrirá eventuais calotes de pessoas que aderirem às renegociações, já tem R$ 11 bilhões reservados no Orçamento. O valor total do fundo foi recentemente aumentado para R$ 15 bilhões, sendo formado com recursos do Tesouro Nacional. Pessoas com renda de até dois salários mínimos (R$ 2.604) poderão renegociar em condições mais vantajosas, graças aos aportes do Tesouro no fundo garantidor.

Foto: divulgação

 

Haddad e Campos Neto também debateram a possível mudança no calendário de metas de inflação para os próximos anos, mas negaram qualquer intenção de alterar a meta de inflação deste ano, fixada em 3,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Haddad mencionou a possibilidade de adotar um calendário contínuo para as metas de inflação, como é utilizado pela maioria dos países.

O ministro ainda reforçou a intenção de buscar a harmonização das políticas monetária e fiscal, destacando que a aprovação da reforma tributária e o envio do novo arcabouço fiscal ao Congresso poderão gerar um "choque de crescimento" em 2024, caso o Banco Central colabore com a redução dos juros. Haddad acredita que um ambiente econômico favorável pode ser alcançado com o apoio das políticas fiscais e monetárias.

O encontro entre Haddad e Campos Neto aconteceu na segunda-feira, no prédio do Ministério da Fazenda. Após a reunião, Haddad descreveu o encontro como uma "reunião de rotina", abordando diversos assuntos.

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