Mudança no Estatuto do Aprendiz pode levar à demissão imediata de 400 mil jovens, alerta setor

Destaque ao PL 6461/2019 quer excluir funções perigosas, insalubres ou penosas da base de cálculo das cotas, reduzindo a obrigação de contratação em diversos setores.

05/04/2026 às 12:19 por Redação Plox

Uma proposta de mudança na redação do projeto de lei 6461/2019, que cria o novo Estatuto do Aprendiz, pode resultar na demissão imediata de 400 mil jovens aprendizes. O texto tramita na Câmara dos Deputados, aguarda votação no plenário e um destaque apresentado pelo PL (Partido Liberal) pretende excluir da base de cálculo das vagas para aprendizes as funções consideradas perigosas, insalubres ou penosas.

Destaque em análise pode reduzir vagas em setores específicos

Caso a alteração seja aprovada, áreas como conservação e limpeza, transporte, segurança, prestação de serviços e teleinformática ficariam desobrigadas de contratar jovens aprendizes.

Mudança de redação em projeto de lei pode levar à demissão de 400 mil aprendizes

Mudança de redação em projeto de lei pode levar à demissão de 400 mil aprendizes

Foto: crédito: Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil


Diante do risco de o destaque ser incorporado ao projeto, a relatora, deputada Flávia Morais (PDT-GO), pediu ao presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), a retirada da proposta da pauta de votação.

Como funciona o programa Jovem Aprendiz

O programa está previsto na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) e permite a contratação de jovens de 14 a 24 anos para o primeiro emprego, combinando atividade prática em empresas com formação teórica em instituições de ensino profissionalizantes. O contrato pode durar até dois anos e prevê salário proporcional às horas trabalhadas, carteira assinada, FGTS e vale-transporte.

Potencial de vagas e impacto sobre postos já ocupados

Hoje, o Brasil tem potencial para oferecer 1,1 milhão de vagas de jovens aprendizes, mas apenas 713 mil estão preenchidas, em razão do não cumprimento das cotas pelas empresas. Do total de postos atualmente ocupados, 400 mil estão justamente nos setores que podem ser excluídos caso a mudança de redação proposta pelo PL seja aprovada.

Entidades apontam risco para permanência dos jovens na escola

O superintendente da Febraeda (Federação Brasileira de Associações Socioeducativas de Adolescentes), Antônio Pasin, afirmou ao PlatôBR que a mudança representaria um retrocesso para a política pública que incentiva jovens a estudar e buscar uma oportunidade no mercado de trabalho.

Segundo ele, o jovem só pode ser contratado pelo programa Jovem Aprendiz se estiver em sala de aula — e muitos seguem matriculados devido à renda obtida com o trabalho. Com menos vagas disponíveis, o risco, de acordo com a avaliação apresentada, é o aumento do abandono escolar.

Queda no número de alunos no ensino médio público

Em 2025, havia 6,3 milhões de alunos no ensino médio público, ante 6,7 milhões em 2024 — o menor número desde 2019 na rede pública de ensino, com queda de 425 mil estudantes. Os dados constam no Censo Escolar 2025, divulgado pelo Ministério da Educação.

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