Datafolha: reprovação ao governo Lula alcança 39%, aprovação fica em 30%
Pesquisa ouviu 2.004 pessoas em maio e indica estabilidade em relação a abril; 29% avaliam como regular.
O universitário Arthur Cortines, de 18 anos, perdeu a visão do olho direito após ser atingido por uma bala de borracha no entorno do Maracanã, na Zona Norte do Rio, depois do clássico entre Flamengo e Vasco, no domingo (3). Ele afirma que, após o disparo, pediu ajuda a policiais militares e foi ignorado. Segundo o estudante, o socorro só veio com um taxista que passava pelo local.
Arthur está internado na Casa de Saúde São José, no Humaitá, na Zona Sul. Ele conta que estava com amigos no jogo e deixava o estádio quando houve um tumulto entre torcidas organizadas. Apesar de dizer que não participava da briga, acabou próximo à confusão.
Arthur Cortines foi alvo de um tiro por bala de borracha no olho
Foto: Reprodução
Eu fui contornando o Maracanã sentido Uerj pra pegar o metrô, aí passei na curva e começou outro tumulto. Quando virei pra trás, ouvi os cavalos e já tomei um tiro na cara
Arthur Cortines
De acordo com ele, policiais da cavalaria da PM tentavam dispersar torcedores com bombas de efeito moral e gás quando um dos agentes teria atirado a bala de borracha diretamente em sua direção. Arthur foi atingido no olho direito e, segundo os médicos, perdeu a visão do lado ferido.
Após ser baleado, Arthur afirma que tentou pedir ajuda aos próprios policiais, mas não recebeu atendimento. Ele relata que caminhou ferido em busca de socorro e tentou se aproximar de uma ambulância particular nas imediações do estádio, sem sucesso.
Sem assistência, ele diz que foi ajudado por um taxista, que o levou ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Depois, o estudante foi transferido para a unidade particular onde segue internado.
A mãe do estudante, Christiane Cortines, criticou a atuação da Polícia Militar e disse considerar inadmissível o que ocorreu, afirmando que a situação poderia ter atingido outras pessoas.
Arthur Cortines foi alvo de um tiro por bala de borracha no olho
Foto: Reprodução
Além de Arthur, outros dois torcedores ficaram feridos durante as confusões após a partida. Segundo a Polícia Militar, o tumulto começou na rampa de acesso ao metrô e se espalhou até a Favela do Metrô e a Rua 8 de Dezembro.
Nessa região, dois homens — um torcedor do Flamengo e outro do Vasco — foram espancados e chegaram a ficar desacordados. Um deles teve o relógio roubado. Os dois foram levados ao Hospital Municipal Souza Aguiar e permanecem internados em estado estável. Um deles foi identificado como Hiata André Barbosa; o outro não teve a identidade divulgada.
Durante a operação, a polícia levou 10 pessoas à delegacia, e ninguém ficou preso. Também houve apreensão de barras de ferro, pedaços de madeira e bombas caseiras.
A Polícia Civil investiga o caso. Em nota, a PM informou que os comandos da Polícia Montada e do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe), que atuaram na ocorrência, vão abrir uma averiguação para esclarecer os fatos e responsabilidades.
O Governo do Estado afirmou que está prestando apoio ao estudante. Segundo o comunicado, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) vai procurar a Defensoria Pública para avaliar a possibilidade de um acordo que garanta assistência médica e psicológica ao jovem, sem necessidade de ação judicial.